quinta-feira, 30 de maio de 2013

LIÇÕES DE COMO VER AS NOVELAS DAS OITO (QUE VÃO AO AR ENTRE AS NOVE E NOVE E MEIA)

 Embarcando na onda do antigo humor "Satiricom", extinto ainda nos anos setenta e que tinha presenças como Jô Soares, Renato Corte Real, José Vasconcellos, Agildo Ribeirro, Paulo Silvino, além de Haroldo Barbosa entre os escritores, sendo,  a meu ver, o melhor humor da tevê nacional de todos os tempos...  adotanto a expressão que usavam quando falavam  em produções óbvias, vou parafraseá-los em dizer "aprenda a ver as novelas das oito (que acontecem às nove, nove e meia, sei lá)".
Lição número um: toda trama das oito tem um(a) milionário(a) mau-caráter e extremamente cruel, que sempre acaba mal no final.
Lição número dois: o(a) milionário(a) mau(á) tem invariavelmente um(a) cúmplice mau(á) e ambicioso(a), que tanbém dá com os burros n'água ao final da história.
Lição três: o mocinho é em todas os enredos um jovem pobre, mas  talentoso e promissor, que enriquece pelos próprios méritos, a seguir empobrece por operações de sabotagem do rico ruim, mas depois reascende, casa-se com a mocinha da história e vive feliz para sempre.
Lição quatro: é obrigatória a existência de uma favela, vila, cortiço ou bairro pobre de subúrbio, onde acontecem uns dois ou três "barracos" por semana, com discussões e baixarias generalizadas entre vizinhos.
Lição cinco: hoje em dia tem sempre de haver personagens de países exóticos e cenas passadas nesses países, com bordões simplesmente insuportáveis, geralmente proferidos em alguma língua estrangeira.
Lição seis: sem triângulo amoroso não há novela.  No último capítulo, todo mundo já comeu todo mundo.
Lição sete: é indispensável a presença de uma personagem que mostre sempre os contornos do corpo, como peitos, bunda, essas coisas, para garantir a  audiência masculina.
Lição oito: tem sempre na trilha sonora uma música bem f... da p...uma coisa bem apelativa e de muito baixa qualidade, que toca umas cinco vezes por capítulo.
Lição nove: não há telenovela sem passeios de barco e um(a) filho(a) rebelde, seja do pobre ou do rico.
Lição dez:: não há trama das oito, nove ou sei lá sem um sabotador silencioso e sonso do mocinho.
Conclusão  a que chego: nem o Papai Noel tem  um saco tão reforçado como o do público, porque as novelas que atualmente passam nas tevês explodiriam  quaisquer testículos normais.

Barão da Mata  

terça-feira, 28 de maio de 2013

QUESTIONAR DEUS (OU DEUSES) É PROFANO?

Segundo o filósofo grego Xenófanes (570-475 a.C.),  cuja biografia,  confesso,  acabei de conhecer agora e de forma bem superficial através dos sites da Internet... Segundo este personagem da Filosofia, não são os deuses que criam os homens à sua imagem e semelhança,  mas ocorre exatamente o inverso.  Não poderia eu em nenhuma análise deixar de comungar com as idéias daquele homem, porque ao longo da sua existência a humanidade vem imprimindo sua forma física e suas características morais e psíquicas aos deuses que criam, atibuindo-lhes os sentimentos e valores que adquirem e alimentam ao longo da vida.
Você deduziria que este meu texto é um discurso absolutamente ateu, e eu diria que a rigor é ateu, sim.  Mas ateu unicamente quanto à figura específica de Deus, como também em relação aos inúmeros deuses inventados pelos politeístas, politeístas entre os quais enquadro os católicos... Os católicos, sim!  Sim, porque o que são os santos senão deuses menores em relação ao deus supremo?  Há santo dos olhos, das dívidas, da justiça, etc, enquanto os romanos tinham os deuses-lares, os da orgia, da guerra, com a maioria adotada da Grécia com nomes modificados.
Sem querer me ater à doutrina católica (ou a refutá-la), é mister que eu elucide que a minha dissertação, se  coloca-se contra os chamados deuses, não nega (como infelizmente não afirma nem pode afirmar) a existência de coisas entre o céu e a terra além do sonhado pela Filosofia.   Porque ser ateu não é necessariamente ser materialista.  É possível acreditar numa vida espiritual sem se admitir a existência de um deus onisciente e onipresente, julgador infalível e voltado permanentemente para as questões que afligem os homens.  Esta crença (do deus único e que tudo pode) é extremamente simplista, como é profundamente simplista dizer que não exite nada e ponto final (!), sem uma análise mais detida e acurada.  Por que inventar um todo-poderoso é fruto da preguiça e inércia das pessoas, que preferem criar um pai que lhes dê o que anseiam a arregaçar as mangas e lutar por seus objetivos, pela justiça atrelada ao seu senso do que é justo.  Ou seja, melhor o pai fazer tudo do que o filho mobilizar-se por aquilo de que precisa e a que aspira.  Da mesma maneira as criaturas agem em relação aos políticos: não elegem presidentes ou apoiam reis ou sei lá o quê para resolverem todos os problemas de que precisam elas se livrar? Acham que é só botar um cara lá no centro do poder para ele lhes dar a justiça social e todos os benefícios de que carecem.
Voltando porém à questão metafísica, poder-se-ia perfeitamente imaginar um mundo espiritual sem lutas entre o bem e o mal, mas com uma coexistência quase sempre pacífica entre ambas as correntes, que seriam, cada qual por seu turno, predominantemente uma coisa ou outra, mas nunca boa ou ruim unicamente.  Se entre os espíritos poderia haver os que nos protegessem ou tentassem nos proteger, ou ainda nos pudessem ou tentassem prejudicar, a questão ficaria difícil de ser respondida, porque  envolveria avaliar o nível de poder dos espíritos.  A vida espiritual poderia ser muito parecida com esta daqui da Terra, com percalços e mazelas, alegrias, dificuldades e tristezas, os espíritos sendo nós próprios(não deuses) em outro lugar, sem que ninguém estivesse a se aperfeiçoar a cada dia, em rumo a uma elevação a um plano astral pleno de benesses e de espíritos de elevada bondade e moral.  Os que professam tal paraíso não estariam demasiadamente envolvidos pelas histórias fictícias com finais felizes  lidas, ouvidas e assistidas desde a mais remota infância?
Agora suponho: e se a vida espiritual for uma decorrência da vida material, ou seja, se não houver espírito pré-existente para animar a matéria e, ao contrário disto, o espírito for somente um resquício do ser que morre?
E, para quase terminar, pergunto: e se não houver nada? Nada, absolutamente nada!  Nada além do que as mãos tocam e os olhos veem, as narinas cheiram, os ouvidos escutam e a língua degusta?  E se não houver mais nada?  Nada, nada e nada mesmo?  Como ficamos?
Então, para finalizar, gostaria de que me respondessem se em minhas proposições fui profano, ofensivo ao sagrado (sobretudo se minha concepção de sagrado for absolutamente diversa da sua), sórdido, arrogante, irreverente?  Por que levantar tais hipóteses faz a gente angariar a antipatia e o ódio de meio mundo?  Se vocês, como crédulos e tementes a Deus, me execram, é porque são iguaizinhos aos romanos que perseguiam e martirizavam os cristãos, tendo em comum com eles a intolerância ao questionamento da ordem religiosa estabelecida.

Barão da Mata


segunda-feira, 27 de maio de 2013

SEVERINO SEVERO, O CONTADOR DE "CAUSOS". Hoje: "RAIMUNDO"


Raimundo era um cabra bom, trabalhador, caprichoso.  Cabra zeloso do seu trabalho tava ali! Ninguém podia dizer que era igual.  Era bom o home, e neutralizou muito macho fogoso.  Quando um janotinha se metia a besta e desonrava arguma donzela filha de coroné, Raimundo era chamado pra lavar a honra da famia.  E olha!! Raimundo lavava com empenho!! Vou explicar: nesses causo Raimundo não era matador: era capador.  Não matava o sujeito: emasculava. E olha que tinha um hábito interessante: capava mas não jogava os instrumento fora: congelava e adispois embarsamava.  Quando tinha um serviço, lá ia ele com seu isopor cheiinho de gelo.  Capava o desinfeliz e adispois botava as tralha no gelo e mais tarde embarsamava e guardava na sua sala de trouféus, só pra quase todo dia ficar admirando e andando entre aqueles mais de mil troféu empalhados apontados pra cima.  Tinha gosto de passear por ali e ainda ficar polindo um por um. Hoje ele tá bem, trabalhando na Prefomática Matador de Alugué.  Uma vez Raimundo foi numa sauna e se sentiu injuriado com o que viu: 
- Acho desaforo esse negoço desses cabra ficar exibindo isso tudo enquanto o que eu tenho mais parece um dedo mindinho-  e aí Raimundo  estragou uns tês e levou os instrumento prá devida coleção.   
Mas Raimundo era um cabra muito bom,coração de manteiga, religioso: quando matava, encomendava oração pela alma do sujeito. 
O que eu gosto de ver em Raimundo é que é um cabra que não dá o braço a torcer. Uma vez, depois de ter tomado uma cacetada de pinga, cerveja,  conhaque, traçado, rum,  pediu ao moço do bar:
- Traz aí um underberg!
O sujeito trouxe, Raimundo bebeu numa só talagada, arregalou os oio, ficou assim uns três minuto e adispois vomitou.  Aí sortou o veredicto:
- Tava farsificado...!!
Quando vai matar alguém, Raimundo sempre inhantes se confessa com o padre:
- Olha, Vossa Santidade...
- Vossa Santidade, não, Raimundo! - retorquia o padre - Santidade é tratamento pro papa...
- Não quero saber, Santidade!  Quem tá armado sou eu e acabo de decretar que o senhor é o papa aqui dessas terra! - e Raimundo falava exaltado, com a mão na bainha do falcão - Ou o senhor acha outra coisa?
O padre não fazia mais nenhum reparo, e Raimundo explicava:
- É que eu vou dar cabo de um sujeitinho safado e queria que V.Santidade encaminhasse a alma dele pro Pai Maior.
O padre se indignava:
- E como o senhor tem a petulância de me contar que vai matar alguém, como seu eu fosse seu cúmplice?
- É porque confio no senhor, Santidade... E, como Vossa Santidade nunca foi capado ou morto, tenho certeza que vai guardar  o meu segredo e rezar pelo desinfeliz.
Um dia Raimundo foi tirar umas satisfação com um coroné, e o home ficava lá, quieto, mijando, enquanto Raimundo falava.  Até que Raimundo chamou a atenção do cabra:
- Coroné, não tenho nada contra o senhor mijar, mas o senhor pode muito bem sair da sala, abrir a braguilha e ir por banheiro, em vez de ficar mijando pelas carças abaixo.
Era assim Raimundo. Cabra bom que é danado. Não vi ainda ninguém igual.

Barão da Mata

sexta-feira, 24 de maio de 2013

DEBATE SOBRE A COMISSÃO DA VERDADE



No domingo, 19/05, a Globo News transmitiu um debate, conduzido por William Waach, acerca da Comissão da Verdade e do  alcance que o poder dos  membros do grupo teria.  Houve unanimidade sobre que não possuíam
 meios de promover punições - por haver decorrido um tempo demasiadamente grande entre a chamada redemocratização   e os dias de hoje,  e tentar prisões agora provocaria reações e sérios conflitos -,  mas tão somente de identificar quem foram os cruéis torturadores nos anos de chumbo, com o intento de evitar (ou tentar evitar) que futuramente cenários como naquele se repitam, porque, como é incansavelmente repetido, o passado esquecido tende a se repetir.  O programa contou com a participação de dois cientistas políticos e um historiador, que se imbuíam do papel de fazer uma análise da atuação dos homens e órgãos encarregados de exercer a repressão nos tempos ditatoriais.  Abordou-se a questão da tortura e dos abusos do poder naquela época e  envolvimento  das polícias civis e instituições como o DOPS, além da participação fundamental do delegado Sérgio Paranhos Fleury.  Impressionou-me a maneira como Waack conduziu a reunião, não porque este tenha sido autoritário ou se tenha apossado da palavra, mas pelo conhecimento histórico que este tem  e pela cabeça luminosa que o jornalista é.  Fez perguntas sempre pertinentes, foi de uma objetividade bastante oportuna e, sempre que interveio, foi para que a pauta não perdesse o rumo, mantendo a conversa sempre no  caminho desejado.  Waack é extremamente diferente de sua colega de emissora, Cristiana Lobo, que em suas aparições e observações me parece unicamente empenhada em cobrar a fidelidade da famigerada base aliada da presidente Dilma (base esta cuja existência já é motivo de vergonha, pois política séria não admite base aliada, mas apresenta um Legislativo com o papel de discutir  os atos do Executivo e contê-lo em seus ímpetos de abusar do poder), como se fosse uma espécie de fiel escudeira da mandatária na mídia.

Voltando ao debate, todos os debatedores foram unânimes em dizer algo que parecia até então que somente eu sabia: os militares no Brasil, assim como em toda a América Latina, não tiveram papel além do de braço armado do poder econômico, porque os golpes militares acontecidos nos países latino-americanos tinham por objetivo preservar e defender os interesses dos grandes conglomerados financeiros, industriais  e comerciais na trajetória do continente americano.  Comentaram até da presença de altíssimos executivos nas reuniões e articulações ocorridas nos bastidores do regime.  Às vezes me parece que a Globo News não é parte integrante das Organizações Globo - como o “Globo Repórter” que causa a mesma impressão - porque um debate como aquele, com a condução de um apresentador brilhante como William Waach, deixa claro que há ainda admiráveis cabeças pensantes nos veículos de comunicação.

Barão da Mata

quarta-feira, 22 de maio de 2013

GRUPO "SAMBA NA FONTE" - PRESTIGIE A CULTURA NACIONAL

O grupo "SAMBA NA FONTE"  toca nos bares e eventos do Rio, dentro de um perfil bastante carioca, e ainda faz questão de praticar seus primorosos exercícios de criatividade, pois apresenta ao mínimo possível canções  já consagradas, dando preferência a trabalhos de compositores ainda sem mídia. Vale a pena assistir e prestigiar  o samba e a cultura nacional,  comparecendo às apresentações do grupo.  O lançamento do CD dos sambistas acontecerá no dia 28/05, no bar Pedra do Sal. 

PROPAGANDA DO CURSO SUPERIOR DE TRAMPA E MALANDRAGEM DA PARLAMENTUS EXECUTIVUS BRASIL


Nós todos sabemos que, com a larguíssima oferta  de mão-de-obra  e toda essa concorrência que há no mercado de trabalho,  é preciso muita habilidade e muita criatividade para ser alguém bem-sucedido e conquistar um lugar ao sol.   E foi exatamente por saber de todas as dificuldades enfrentadas por quem quer subir na vida de verdade, que a Parlamentus Executivus Brasil criou o CSTP, Curso Superior  de  Trampa e Malandragem, que vai fazer de você um profissional de primeira, fluente nas dissimulações e nos discursos, hábil para desviar dinheiro público  sem deixar rastros e, em caso de ser descoberto, capaz de ser inocentado e até tornar-se vítima aos olhos da sociedade.    Nós o prepararemos para as situações mais delicadas, faremos de você um orador brilhante e pronto para sair das circunstâncias mais embaraçosas, com uma tranquilidade  de quem nunca  pecou nesta vida.   Nossa instituição se compõe do corpo docente, do grupo discente, mas todos pertencem à ala grupo indecente. Matricule-se já no Curso Superior de Trampa e Malandragem da Parlamentus Executivus Brasil, e sua mão ficará leve como se fosse algodão.  Na Parlamentus Executivus Brasil nós não lhe daremos o peixe, mas lhe ensinaremos a roubar o peixe.

Barão da Mata

terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

RÁDIO BESTEIROL - O PROGRAMA 2



Bom dia, amigos!
 
Este é para anunciar que Jarba Boseira está de volta! E traz com ele todas as novidades da 2a edição do Programa da Rádio Besteirol, criada e totalmente produzida pelos Pensadores de Birosca. Assista abaixo, curta, comente, compartilhe!
 
 
 

domingo, 19 de maio de 2013

MINISTRO DECIDIU QUE MAIORIDADE PENAL NÃO VAI SER REDUZIDA E FIM!

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, profere, no plenário do conselho Nacional de Justiça, que nem uma emenda constitucional pode alterar a maioridade penal para dezesseis anos.  Convertido a sumo jurista da República, decidiu o que é e o que não é cláusula pétrea..  Aí eu fiquei confuso: afinal quem vai violentar a ordem jurídica é o Legislativo ou o Executivo?  O Brasil, deve ter pensado, não precisa desse negócio de autonomia entre os poderes e definição do papel de cada um deles: o PT é quem manda e ponto final! O mais é coisa de idealista, de gente romântica que acha que o mundo tem de ser assim ou assado.  Aí  eu fiquei pensando: se Sua Exa. decidiu assim, provavelmente a matéria nem será apreciada pelo Congresso: a palavra final tá dada e pronto!
O que ele, porém, não vê é que o crime organizado, por exemplo, vem utilizando há muito tempo a "mão-de-obra" de menores de dezoito, justamente pela ausência de risco de estes mofarem nas penitenciárias, porque, de acordo  com a aberração jurídica estabelecida, um rapaz de dezesseis anos é capaz para decidir quem governa o país, mas não para responder por seus erros.  Isto é um grande incentivo à criminalidade, porque a impunidade fulcrada em lei estimula o indivíduo a cometer mais e mais atos perversos e, o que é pior, mortais.  Acho impressionante o fato de que a sociedade inteira consegue enxergar isto, mas o ministro e o PT, não.  Não é à toa que digo que o PT tem o pior oftalmologista do mundo: deve ser algum companheiro muito afeito a rapapés e muito empenhado em ajudar na perpetuação do partido no governo e completamente esquecido das peculiaridades de seu ofício de fazer enxergar melhor.  
Agora, sem ironias, a verdade é bem outra: eles contam é com os votos dessas pessoas, de suas mães e familiares agradecidos, porque a maioria absoluta dos delinquentes juvenis é de camadas carentes, que também correspondem à parte maior da população brasileira, e é com a maioria dos votos que alguém se elege, seja para administrador ou parlamentar.  Quem pagará por tais erros serão as pessoas de bem e mesmo as de mal que vivem no território nacional: mães continuarão a chorar seus filhos, mais mães ainda  irão chorar filhos mortos, porque a legenda do governo e seus asseclas precisam de votos ao preço de a violência ficar de estável a crescente - ou você acha que esta complacência ante a violência vai surtir outro efeito?
Se é para prestar a minha colaboração a esse estado de coisas que esses políticos acham justo, quero sugerir que instituam logo o bolsa-crime, com o cadastramento dos menores envolvidos com atos ilícitos ou hediondos, para que estes possam gozar o benefício de dois a três salário mínimos mensais como forma de compensar a periculosidade das funções por estes exercidas.  Vai dar voto de enxurrada!

Barão da Mata

sábado, 18 de maio de 2013

E, POR FALAR EM CASSIANO...

O que foi feito do Cassiano, tão perdido no tempo e tão renegado pelas gravadoras?  Não tem mais espaço nestes dias de "sumidades" musicais  cantando "eu quero tchu" ou "leg-leg-leg". O subesterco domina a cultura nacional.



DJAVAN, UM DOS ANJOS

A voz do Djavan é uma daquelas que fluem naturalmente, sem o menor esforço para o canto, como se fosse um córrego cristalino ou a própria respiração... como um milagre: quem canta, vive mais perto de Deus.  Aqui, numa das apresentações, faz dueto com Cassiano, mais um ano esquecido.


18/05 - DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL



O Movimento Antimanicomial consiste em diversas iniciativas conjuntas que buscam a transformação dos serviços psiquiátricos, cujos métodos muitas vezes  parecem mais eficazes na deterioração da dignidade humana do que no tratamento de transtornos mentais. A principal destas iniciativas é a aprovação da Lei 10216/2001 (Lei Paulo Delgado). A Lei redireciona a assistência em sáude mental, dando preferencia a terapias em serviços de base comunitária, além de dispor sobre a proteção os direitos das pessoas que sofrem de transtornos mentais. Contudo, falha ao não apresentar uma proposta para a extinção gradual dos manicômios. Em 2012, um censo apontou para a ocorrência de graves violações de direitos humanos nos manicômios judiciários do país (link para a notícia). Atualmente, quase 4 mil pessoas estão internadas, somente por força de medidas de segurança, em Instituições deste tipo no país.
 
Aproveitamos para exibir o excelente  filme "Bicho de 7 Cabeças" (2001 - Direção de Lais Bodanzky), que para expor com maestria o assunto, baseia-se na história real de Austregésilo Carrano Bueno. 
A obra tem trilha de Arnaldo Antunes e traz a primeira e melhor atuação (realmente grande) de Rodrigo Santoro no cinema. 
 
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

BRASIL-FOLHETIM

O Brasil parou para ver o último capítulo da novela.

As ruas estavam desertas, os bares permaneceram vazios:
As oito horas mais pareciam alta madrugada:
Era preciso saber quem era o assassino!

Meu Deus(!), não fosse aquele personagem bonzinho!
Que caísse o mundo sobre nossas cabeças, que uma explosão nuclear devastasse todo
[o planeta, mas não fosse jamais o assassino aquele sujeito bonzinho!
Teria cabimento – ora vejam! – ser ele um patife, um sonso?

Mãos que se apertavam, peitos que tremiam, olhos fixos na tela sem um piscar, nem um momento
[ de distração.
A vida corria nas ruas... Aliás, nada havia nas ruas!
Sequer havia ruas e vida: só a tela e a novela existiam.

Brasil de expectativas, Brasil de bolsa de apostas,
De mais de uma centena de milhão de detetives.
As pessoas esquecidas de seus problemas... Problemas?!
Mas que problemas?! Não havia nenhum problema, não havia qualquer pessoa!
Só havia a tela e a novela, só havia a telenovela!

Afinal a revelação bombástica, o Brasil conhece o assassino.
O país já sabe quem é seu bandido, o país já prendeu seu bandido único e é feliz como uma
[criança ante um presente de Natal.
Na tela, os casais se formam, se acertam, se reconciliam,
E o Brasil inteiro sorri naquela felicidade plácida dos que já concretizaram todos os seus projetos.

O Brasil, agora contente, aliviado, sereno,
O Brasil, gigantesco, variado, majestoso,
Reduziu-se então a um folhetim.

1996
Barão da Mata



17/05 - DIA MUNDIAL DA INTERNET

 
 
 

ENTENDA POR QUE GOVERNAR OU SER POLÍTICO É BASTANTE ERÓTICO


É... Tudo  é mesmo uma questão de ponto de vista.   Se nós ficamos aqui a achar que os políticos (ou   uma boa parte deles) são desonestos, aéticos, isso e aquilo... se pensamos que há falcatrua ou vigarice nesses e naqueles atos dos caras, o nosso "querido" deputado Jonas Pereira Jojoba, o tão mencionado (por mim) Jonas, o Salafrário,  numa conversa de gabinete, expôs ao seu colega Sandro Lessa a sua visão sobre a questão:
- Meu caro Sandro, a verdade é  que  o que pessoal chama de pilantragem é, na verdade, muito erotismo.  Ou seja, governar é algo extemamente erótico.
- Erótico?? - espantou-se Sandro.
- É, erótico... - insistiu Jonas.
- Mas como assim?
- É fácil entender.- nosso protagonista começou a elucidar com voz pausada - Qual a analogia que há entre o povo e a mulher solitária?
- A analogia...?
- É, analogia, Lessa. Pois eu respondo: é a carência. A mulher solitária tem carência de afeto, o povo, carência material, financeira, de saúde, educação, habitação, segurança,  essas coisas. Mas o grande fato é que, embora  tipos de carência diferentes, tudo é carência, carência é sempre carência, certo? 
- Certo.
- Então, veja bem: quando você tá a fim de se eleger, o que é  que você promete ao povo?
- Educação, emprego, saúde, melhores salários...
- Pois é.  E agora, quando você tá a fim de "pegar" uma mulher solitária, carente,  o que você promete?
- Amor, paixão, carinho, sexo...
- É isso aí: amor, paixão, carinho, sexo! Sexo, viu!? Começou a ficar erótico.  Agora me responde: como é que você faz prá mulher deixar você "pegar" ela firme?
- Bom, depois das promessas, quando ela tá caidinha por mim e me deixa encostar, chegar pertinho, antes de partir pro "abate", eu passo o nariz na nuquinha dela...
- E aí, como pé que é com o povo? Como tu faz pra ganhar o voto?
- É parecido: eu elogio, dou festa, afago...
- Taí! Você afaga o povo como afaga a mulher! Não é isso?! - e Jonas era agora agitado e veemente: - Afaga, não é isso?!
- É...
- E depois que tu promete e afaga, e ela se desvanece, se derrete todinha, fica doidinha?
- Ah! Aí, meu amigo...- Sandro tinha um riso safado no rosto - Aí, meu amigo...
- Fala, Sandro, fala! Olha que, como a mulher, o povo se desvanece e se derrete todinho!... Fala, Sandro, fala!
- Ah! Aí, meu amigo...
- Fala, Sandro, desmbucha!
- Aí... - deu Sandro uma risadinha - Aí eu sodomizo mesmo!
- Pois é, Lessa! - concluiu Jonas - Primeriro a gente promete e faz carícias, depois a gente sodomiza.  Então?  Ser político ou governar é ou não é bastante erótico?

TANGO CARIOCA


Quando chegaste com teus sorrisos
e te sentaste defronte a mim,
tua figura era só viveza,
minha esperança era tão cansada.

O teu decote era tão ousado,
O teu vestido, cheio de estampas
em tons vermelhos e sensuais,
com transparências bem provocantes.

A tua face se  iluminava
E irradiava tão pura vida,
era  alegria que assim pulsava
que transbordava por todo o bar.

Quando dançavas, arrebatada
pelos pandeiros, pelas violas,
o teu requebro, que era tão mágico,
te transformava numa cigana.

Tinhas o riso  tão atrevido,
Tinhas os olhos tão  petulantes,
me fascinavas como se eu fosse
algum menino sem ter vivência.

O teu olhar bem me cativava,
me transformavas em teu brinquedo,
que, qual criança que não tem zelo,
tu usarias com teu desleixo.

O teu dançar, que contagiava
todos os homens, todas mulheres,
já te fazia não mais humana,
mas  entidade bem poderosa.

Eu, indefeso de tão tristonho,
via teu brilho por entre as luzes
do bar alegre, da lua,  estrelas,
que não brilhavam mais do que tu.

Eu, destoando das alegrias
daquela noite, da tua dança,
fugi de ti, do teu grande encanto,
porque temi que me devorasses,
porque temi que me consumisses.

Barão da Mata

ARMINDO


Ah(!), meu pobre Armindo,
deixe essa tristeza,
pare co'esse pranto,
saia do marasmo,
olhe o dia alegre,
procure sorrir.

Ah(!), meu pobre Armindo,
lute contra a dor,
a melancolia,
entre num boteco,
ouça umas piadas,
procure gostar.

Não, meu pobre Armindo,
não fique tão murcho,
de uma vez por todas,
mate-se, Armindo,
mas, por Deus, Armindo,
não nos contagie!

Barão da Mata

quinta-feira, 16 de maio de 2013

JOSENILDO, O INFELIZ NO AMOR


Josenildo jamais fora, ao menos por muito tempo, feliz no amor, e era, talvez por isto mesmo, um eterno apaixonado, louco por viver um romance de plena entrega, vulcânicos desejos, irremediável apego, idolatrias medievais, juras trovadorescas. Vivia a buscar uma cara-metade na acepção mais romântica da expressão, nunca fora, ou ao menos achava que nunca fora, amado pela maioria das mulheres que tivera.
A primeira namorada o traiu com o irmão dele, e isto fez que Josenildo adquirisse especial interesse por boleros. A segunda namorada disse não quando pedida em casamento. A terceira recusou-se a ir para a cama com o pobre, a quarta foi, mas rompeu o namoro no mesmo dia, fazendo-o tornar-se fã do Wando, e assim o desamado foi levando sua triste vida.
Entre tantas decepções, houve uma namorada com quem dormiu inúmeras vezes, com quem noivou, montou o enxoval e que não compareceu no dia do casamento. Aí, o sujeitinho descolou em algum sebo de discos um vinil com “O Ébrio”, de Vicente Celestino. Houve uma com quem chegou a se casar, mas foi obrigado a pedir o divórcio, pois, num dia em que voltara para casa mais cedo do trabalho, encontrou o vizinho em sua cama, a comprazer-se dos carinhos e volúpias de sua mulher, e, o que é pior, ainda a usar-lhe a cueca, que estava enrolada em uma das pernas. Foi um dia dramático: Josenildo gritou, possesso, ainda da porta do quarto:
-Vagabunda! Desgraçado!
Nada conseguiu dizer o vizinho senão:
-Deixa só a gente acabar esta transa, que eu vou embora.
E ela:
-Não se preocupe. Se você ficar quietinho, eu concordo com a separação amigável.
Num dia de relativa sorte (e vocês logo vão entender por que relativa), nosso coitado apaixonado acabou na casa de uma mulher casada que mal conhecia. Ela lhe fez juras de amor, os dois se acarinharam licenciosamente, e ele tinha as calças à altura dos joelhos quando ambos ouviram um barulho e ela disse:
-Meu marido!
Josenildo levou a mão à boca, estarrecido, a mulher jogou-lhe a camisa e murmurou, apavorada:
-Pula a janela, que dá tempo!
Ele levantou rapidamente as calças, foi fechá-la... mas prendeu o zíper no prepúcio! Fez um escândalo daqueles(!), não correu e levou cinco tiros na bunda.
Uma mulher apaixonou-se por ele verdadeiramente. O relacionamento evoluiu de forma meteórica. Foi uma perdição de amor, e os dois se casaram em dois meses. Jamais Josenildo fora tão feliz. Era aquele fogo queimando os dois constantemente, aquela entrega total e absoluta, aquele amor perfeito, aquela emoção a todo instante. Todos os dias o marido chegava em casa com flores e, num belo fim de tarde, introduziu a chave na fechadura, chamou pelo nome da moça e não ouviu resposta: entrou. Encontrou-a deitada no sofá, morta. A pobrezinha era cardíaca e seu coraçãozinho não aguentou tanta emoção a todo momento.
Desolado, o nosso mal-afortunado amante ficou um longo tempo em total solidão, até que, numa tarde de sol, conheceu Mariana, linda e gostosa morena, que fez do peito dele uma profusão de vendavais.
-Você me ama? – ele sempre queria certificar-se.
-Amo. Preciso de você como do ar que respiro.
Submeteu-a a todas as provas de amor e fidelidade, em nenhuma a morena tirou nota baixa.
-Você não está doente? Não tem Aids, coração fraco, nenhuma doença grave?
-Não! Estou perfeitinha para você!
Fê-la realizar uma série de exames, um check-up acuradíssimo: eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de esforço, anti-HIV, sorologia, colesterol, glicose, triglicerídeos e uma pá de outros exames. Resolveu ele próprio fazer uma completa averiguação clínica. Tudo estava bem com ambos.
-Você quer casar comigo? – perguntou à namorada.
-É o que eu mais quero.
Josenildo era a cada dia mais inseguro:
-Você jura que não vai me trair?
-Juro que não.
-Jura que vai ter prudência quando dirigir?
-Juro.
-E quando atravessar também?
-Claro que juro!
Fez que ela aprendesse jiu-jitsu e a atirar. Presenteou-a com uma arma para autodefesa. Cercou-a de proteções.
-Você não vai me abandonar?
-Já te disse que não!
- Você já não é casada?
- Claro que não, seu tolinho...!
Marcaram o casamento.
A cerimônia matrimonial foi memorável. Os convidados lotaram a igreja.Fizeram a festa num clube, encheram-no de gente. Josenildo era o homem mais feliz do mundo, e achou que só com um bom porre proporcionaria uma comemoração à altura do acontecimento. Bebeu todas e mal conseguia andar.
No fim da festa, onde ficou até a saída dos últimos convidados, despediu-se dos padrinhos pela terceira vez enquanto Mariana e o motorista esperavam dentro do carro.
-Eu sou o homem mais feliz do mundo.– disse num último aperto de mão.
E encaminhou-se para o carro, eufórico, cambaleante, ergueu os braços e gritou:
-Eu sou o homem mais feliz do mundo!
Desequilibrou-se, caiu para trás, batendo fortemente a nuca no meio-fio da calçada.
Nunca se viu uma viúva tão inconsolável como Mariana.

fim

Barão da Mata

16/05 - DIA DO GARI


 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O TALENTO TROCADO DE LUGAR


Um sábado desses liguei a televisão e  deparei com um desses programas de auditório, e havia um sujeito que cantava um pagode e se fazia acompanhar de duas lindas morenas que rebolavam os corpos esculturais com a sensualidade de ninfas. Fiquei a observar. O sujeito cantava divinamente como um corno bêbado na noite da traição. A letra me levava quase às lágrimas, por ver a que ponto uma poesia pode ser piegas e de má qualidade. Não sou músico, mas percebi que não havia belo arranjo, bela melodia nem bom gosto. Só se salvavam as morenas e suas formas lascivas, e, como não sou voyeur de vídeo, coloquei no AV e botei um DVD onde Elis Regina cantava "Fascinação". Letra, música, voz, tudo lindo de embevecer!
Olha, minha gente, confesso que sou aficionado por bunda de mulher... mas tenho uma infinita saudade de quando o talento ficava na cabeça.

Barão da Mata

A VOZ DO POVO NÃO É A VOZ DE DEUS

Escute aqui: você acredita mesmo que a voz do povo seja a voz de Deus? Acredita mesmo? Verdade? Então, segundo você, Deus elegeu os filmes do Van Dame os melhores, adora pagode, "funk", o "Domingão do Faustão", o programa do Gugu, escolheu os políticos que estão aí com as rédeas do poder nas mãos , elegeu Collor  em 1989 e fez um monte de outras besteiras. Aliás, e , por falar em Collor, o senador é uma prova viva de que povo não sabe votar - e povo não é assim desde a Antiguidade, pois do contrário os judeus não teriam preferido Barrabás a Jesus, não é mesmo? Olhe aqui, meu amigo, não sou nenhum exemplo de credulidade e religiosidade, mas recomendo que tenha mais respeito com Deus. Isto se você não estiver a fim de ir para o Inferno, onde o grande problema não é o Diabo, mas um monte de políticos que andou indo para lá nos últimos anos. Tenho pena do demônio, porque aqueles caras tão infernizando a vida dele, coitado!... Dizem até que o pobre e sofrido Satã anda pensando seriamente em desertar. Deus o ajude...

Barão da Mata

MÍLTON NASCIMENTO - POR QUE ESQUECIDO?

O esquecimento do nome Mílton Nascimento mostra que a mídia ou que o povo não gosta de talentos?


O BAR

No bar onde se apresentavam
Cantores de muita poesia,
Havia uma mulher que cantava
E um homem que não se iludia.
Havia um rapaz que sonhava
E uma mulher que sofria.
Alguém a vida adorava,
Alguém a morte pedia.
A música a alguns tocava,
A outros nada dizia.
Um grupo, feliz, dançava,
Um grupo mal se mexia.
Havia um ser que odiava
E um outro que apenas bebia.
Um jovem casal se beijava,
Um outro se repelia.
Alguém, sozinho, chorava,
Um trio de amigos sorria.
Um revoltado, inflamado, bradava,
Um indiferente mal o ouvia.
Um bêbado a língua enrolava,
Um sóbrio apenas sorria.
Diversas emoções se notavam,
Belas canções se seguiam.
Havia também a apatia,
E a noite apenas seguia.

Barão da Mata

A VIDA

Carros loucos, desembestados, bandidos, tiroteios, guerras,
Aviões caindo, vulcões, tempestades, terremotos,
Quantas crianças, jovens, adultos, velhos,
Pessoas boas, pessoas más, puros bebês, inocentes animais,
Quantos já viste e já soubeste
Tragicamente mortos!
Por que então alguma santa entidade
Viria do céu
Para acudir
E proteger
A ti e aos teus?

Quando não se morre de desastre ou violência,
Ou de fenômeno da natureza,
A doença destrói as criaturas.
Então? Tu te crês mesmo a salvo de tal contexto?
Quem viria te salvar?
Ora, amigo, entende, és mero objeto de caçada
Perseguido pelos carros, balas e moléstias:
Presa que cedo ou tarde, obviamente,
Irá tombar.

Não és nenhum privilegiado,
Nem tampouco os teus o são.
Por mais que rezes,
Por mais que implores,
Tu estás decididamente desprotegido.

A morte é nefasta presença em tudo.
Povos massacram povos por ambição.
Facínoras espalham terror e morte.
Animais precisam matar para sobreviver.
Homens matam animais por troféu e por "gourmet".
A natureza também mata sem hesitação:
Droga! Onde há bondade, compaixão ou justiça?!
O que existe para nos proteger?

Procuras esquecer a morte e te lembras da vida,
Pensas agora em teus amigos.
Aliás, por neles falar,
Quantos deles, dize-me, te amam?
Cogitas, cogitas, não sabes enfim.
Não sabes. Talvez nenhum.
E tua mulher? Será que te ama?
Menos condições tens ainda de responder.
Mas, agora, e tu?
Amas tua mulher e teus amigos?
A pergunta, eu sei, te embaraça,
E vês ainda que não és para eles
Melhor do que eles são para ti.
Agora tu te sentes vazio de sentimentos
Como todos os que te cercam.

Quantas vezes as pessoas foram torpes e más contigo!
Mas quantas vezes foste torpe e mau com as pessoas?
Os políticos são crapulosos,
As autoridades, em geral, são crapulosas, corruptas,
Os poderosos são autoritários.
Mas tu próprio já não foste infame algum dia?
Neste momento te sentes vilão entre os vilões.

Quantas injustiças já sofreste!
Se crês em Deus, não o achas justo.
Mas quantas injustiças já cometeste?
Tu não estás entre as raras pessoas boas e justas,
Tu, mau entre os maus,
Injusto entre os injustos.

Entende, amigo, é a vida,
Não mais que a vida...
A vida, insolente, a te dar na cara uma bofetada
E a te dizer que é tão rude, tão iníqua, tão crua,
Injusta, sórdida, impiedosa,
Sem alma, poesia ou bondade.
É a vida, amigo, que te faz deserto de sentimentos,
Que te faz um homem de mármore,
Que te resseca por dentro.
É a vida, amigo,
Que te faz criatura incrédula,
Que te mata toda beleza,
Que te mata toda esperança.
É a vida, amigo,
Que te faz igualzinho a ela,
Que te faz um ser deformado,
Que te faz cansado do mundo,
Que te faz cansado da vida.

2003
Barão da Mata

terça-feira, 14 de maio de 2013

PASTORCARD


Retorno do namorado: duzentos e vinte e nove. Cura de tosse comprida: cento e cinqüenta e nove. Oração contra urucubaca: novente e nove e noventa. Saber que o seu pastor picareta nunca ficará preso: não tem preço. Há coisas que o dinheiro não pode comprar. Para todas as outras existe Pastorcard.

Barão da Mata

NOSSOS COMERCIAIS


Você, maridão daquela dona de casa esgotada, dê  de presente à sua mulher o creme íntimo Proventa,e ela à noite vai arder na cama assim que nem pimenta!

Se você tem problemas de ereção, a Parlamentary's Laboratory lançou uma novidade que torna ultrapassados todos os remédios já conhecidos:  O Torpedus! Toprpedus é um ultra-poderoso afrodisíaco e vasodilatador que garante efeito de 365 trinta dias por ano com desempenho sexual pleno.  Torpedus é o estimulante de Dionísio e de todos os dos deuses do Olimpo, é a droga das orgias dos deuses!  Só Torpedus permite aos políticos  sodomizar todo o  povo desta terra permanentemente, sem nunca, nunca  falhar!  Use Torpedus! O estimulante do político brasileiro!

A Mazela Turismo apresenta agora uma promoção imperdível!  Percorra em dois anos os engarrafamentos do Rio, com vista para as favelas da Avenida Brasil e o Piscinão de Ramos, e os serviços de camelôs, com  latinhas de cerveja, biscoitos de polvilho, tudo isto com cinquenta por cento de desconto e para pagamento em quatro anos pelo cartão de crédito!   Não perca a maior aventura turística da sua vida, com lonquíssimas paradas nas cracolândias e, ainda(!), ainda(!), a chance de ver os escombros da Perimetral!!!  Você não poderá perder esta oportunidade de presenciar uma lambança histórica!!!
E mais!! Você poderá ser contemplado com um dos acidentes de trânsito típicos da região, além de mlorrer de rir em ver tanta imprudência, barbeiragem e impunidade! Ligue já para a Mazela Turismo, reserve sua passagem e venha viver uma verdadeira epopeia do Indiana Jones!!!

Se você deseja ser corrupto, mas tem vergonha, não passe por constrangimentos: vá às Casas Brasília e compre Picaretol, o ansiolítico  relaxante que vai lhe permitir roubar com aquela tranquilidade...

Antigamente,  os maridos e namorados traídos ficavam tristes e  acanhados. O homem moderno, no entanto, não tem mais este problema, porque hoje pode comprar nos supermercados o ornamento Galhamax(!), o embelezador de cornos que faz você orgulhoso dos seus chifres!!!  Exiba galhos grandes e exuberantes, com miquinhos e frutas artificiais.  Você terá os chifres mais bonitos, nos modelos galhada-de-veado, goiabeira  ou árvore-de -Natal.  Compre já seu Galhamax e desfile no "shopping" os chifres mais elegantes do mundo!

Para aqueles que não conseguem um bom diálogo, seja a mulher com o marido ou o marido com a mulher, por conta de diferenças intelectuais, a Farmaburros lançou Idiotex, o redutor de inteligência que põe qualquer um no nível do parceiro cabeçudo.  Não se esqueça: se a diferença cultural entre você é grande, dê à pessoa amada Idiotex agora, e ela cantará um "funk" na hora.

Barão da Mata





GAL COSTA, A DIVA ESQUECIDA



Gal Costa também é uma diva da MPB, hoje, lamentavelmente, fora da mídia, que é atualmente tão voltada para o chinfrim, o ridículo, o brega, o piegas, o desqualificado  e o grosseiro



BRASIL-FOLHETIM


O Brasil parou para ver o último capítulo da novela.

As ruas estavam desertas, os bares permaneceram vazios:
As oito horas mais pareciam alta madrugada:
Era preciso saber quem era o assassino!

Meu Deus(!), não fosse aquele personagem bonzinho!
Que caísse o mundo sobre nossas cabeças, que uma explosão nuclear devastasse todo
[o planeta, mas não fosse jamais o assassino aquele sujeito bonzinho!
Teria cabimento – ora vejam! – ser ele um patife, um sonso?

Mãos que se apertavam, peitos que tremiam, olhos fixos na tela sem um piscar, nem um momento
[ de distração.
A vida corria nas ruas... Aliás, nada havia nas ruas!
Sequer havia ruas e vida: só a tela e a novela existiam.

Brasil de expectativas, Brasil de bolsa de apostas,
De mais de uma centena de milhão de detetives.
As pessoas esquecidas de seus problemas... Problemas?!
Mas que problemas?! Não havia nenhum problema, não havia qualquer pessoa!
Só havia a tela e a novela, só havia a telenovela!

Afinal a revelação bombástica, o Brasil conhece o assassino.
O país já sabe quem é seu bandido, o país já prendeu seu bandido único e é feliz como  [uma criança ante um presente de Natal.
Na tela, os casais se formam, se acertam, se reconciliam,
E o Brasil inteiro sorri naquela felicidade plácida dos que já concretizaram todos os seus projetos.

O Brasil, agora contente, aliviado, sereno,
O Brasil, gigantesco, variado, majestoso,
Reduziu-se então a um folhetim.

1996

segunda-feira, 13 de maio de 2013

"CAUSOS" E HISTÓRIAS CONTADAS NAS MESAS DE BAR - O SEDUTOR

Foi no final dos anos 80. Um conhecido meu, casado, algo em torno de 42 anos, resistindo à ideia de ficar a tomar chope até tarde - o que não era de costume, pois varava frequentemente noites a fio na esbórnia -, resolveu me contar o seus motivos.  
O fato é que sempre ou quase sempre ia buscar a filha na escola, e era comum nessas ocasiões ver a diretora e trocar com esta olhares concupiscentes.  E dos olhares evoluíram para as rápidas conversas, e das rápidas conversas trocaram telefones de trabalho, dos telefonemas aos locais de atividade profissional foram ao flerte, do flerte para a ida do homem ao apartamento da mulher, no bairro onde ambos moravam.
Contou-me ele que foi uma noite romântica, de conversa agradável, vinho, músicas da Elis Regina e outras preciosidades da MPB e do cancioneiro internacional.  Tão aprazível foi a noite de amor, que o sedutor dormiu na casa da mulher e acordou tarde. Apreensivo, pegou o carro em rumo a onde morava.  Antes de chegar, passou no bar da esquina da rua onde morava, talvez para tomar uma dose de qualquer coisa e dar a impressão de que bebera tanto a noite que até aquela hora - segundo ele por volta de uma da tarde - estaria bêbado.
Qual não foi a sua surpresa, entretanto, quando os amigos de copo que lá estavam, por brincadeira,  lhe vieram com guardanapos de papel contendo textos do teor "solicito vaga para meu(minha) filho(a) fulano(a) de tal na série tal" ou "solicito bolsa integral ao meu (ou minha) filho (ou filha) cicrano (a) na tal série."Viu-se estupefato: como eles souberam?  Resposta a tal pergunta jamais ele obteve, mas que a sua esposa também soube, soube.
Olhe, o sujeito me contou que teve de fazer um esforço hercúleo para demover a mulher da ideia de entrar com uma ação de divórcio.

Barão da Mata

PREDESTINAÇÃO


Robert tinha a consciência de que era um predestinado.  Sobretudo porque era talentoso, e já na infância dera evidentes sinais de seu potencial, com sua inclinação e facilidade para lidar com os números e as ciências, sobretudo as biológicas.  Na adolescência, recebera inúmeros elogios dos seus professores de Biologia, o que alimentara os desejos dos pais e do próprio de que este abraçasse a Medicina.
Filho de família classe média com bom padrão financeiro, ao terminar o curso secundário, ingressou na faculdade para a carreira desejada, alcançando um dos primeiros lugares no vestibular.  Isto o fez ainda mais cônscio de que tinha brilho, e deu-lhe a certeza, também alimentada pelos pais, de que o talento nunca vem sozinho: traz sempre a reboque uma missão, uma predestinação, no caso dele a de salvar vidas, tornar-se renomado, envolver-se em pesquisas, descobrir curas, ajudar a humanidade tão carente de auxílio por conta de sua precariedade e ignorância.
-É um desígnio de Deus, uma missão divina. - diziam-lhe sempre os pais, adeptos do espiritismo de Allan Kardec - Todo mundo tem uma incumbência na Terra, ninguém nasce com talento à toa.  Deus é perfeito e nada é por acaso.  Por isto, não neglicencie nunca quanto à elevada tarefa que Ele te deu.
Tal consciência arraigou-se na mente de Robert, que tinha este nome pomposo apesar de brasileiro filho e neto de brasileiros, e este levou os estudos a sério, formulando inclusive planos de ajudar o próximo com alguns atendimentos gratuitos, sem deixar, é claro, de obter os frutos financeiros dercorrentes da profissão.  Ficava a imaginar seu consultório suntuoso,  a construção e crescimento de sua reputação, secretárias bonitas, a reverência dos clientes e a gratidão daqueles a quem atenderia gratuita e caritativamente.  Um futuro grandioso, definitivamente, o esperava.
Na universidade, mostrava-se um aluno do quilate das raras inteligências, na vida pessoal, era benquisto por todos e só tinha algum problema com o seu excessivo magnestismo, pois com frequência era forçado a dar verdadeiros dribles em uma ou outra namorada, já que, com eu já disse, o seu execessivo carisma não lhe permitia envolver-se com uma única moça. 
Quando o universitário já contava vinte e três anos e já se aproximava o tempo de concluir a faculdade, quando este ainda tinha ainda alguma dúvida sobre a especialização a fazer, foi encontrar uma das belas com quem mantinha relacionamento.
Era uma tarde bonita, meio de semana, e Robert postou-se no lugar onde o encontro fora marcado.  Acontece que um carro que vinha em alta velocidade perdeu a direção, subiu a calçada e atropelou Robert, que teve morte instantânea e nos deixou sem saber responder o que fora feito de sua predestinação, dos desígnios de Deus, de sua missão atrelada ao talento, da tarefa de curar e salvar vidas, de auxiliar humanos sofredores, e do futuro magnífico e elevado que sempre o aguardara.

2008  
Barão da Mata      

GILBERTO GIL E SUA PECULIAR MUSICALIDADE

Em Gilberto Gil a musicalidade é algo intrínseco: o cantor é naturalmente musical.  O compositor é brilhante.




A MORTE DE TUPÃ

Os deuses da mata agonizam,
aniquilados por gringas missões.
O jeito de viver a vida
é já diferente do de viver na mata.
O olho de ver o mundo
já foi trocado pelo olho impingido
da civilização.

Índio pilotando escavadeira,
tombando a mata,
já nem conhecendo língua de índio.
O Kuarup virando
atração de tevê.

Madakalá posou nua pra revista,
de adereços dourados e batom carmim:
Madakalá erótica,
sofisticada.

Jandaia montou uma termas
e transa com todos
os brancos que chegam:
Jandaia aidética,
sifilítica.

Jakalo já trocou a moto
por outra mais possante
e vive a mil por hora:
Jakalo piloto
malucão!

Paru montou uma boate
que toca o bolero,
rock, o jazz:
Paru dono das noites
do Xingu.

Yakuí constrói edifícios
com playground, piscina,
com quadra e sauna:
Yakuí construtor,
capitalista.

Mas o Peri virou assaltante,
vive às tocaias,
todo sorrateiro,
com seu trinta-e-oito.
Peri facínora,
meliante.

E o Karuta lê Drummond, Veríssimo,
Machado, Bilac
e os grandes clássicos,
e fala inglês,
francês, espanhol
e mais outras línguas:
Karuta ilustrado,
poliglota.

Os deuses da mata
em pleno ocaso,
as missões de Cristo
fazendo o diabo;
a turma de Brasília
e os poderosos...
essa gente toda
engolindo os deuses,
engolindo os índios
com a voracidade
de bestas famintas.

1989
Barão da Mata

domingo, 12 de maio de 2013

OS CENTO E OITENTA ACESSOS E O AGENTE DOIDÃO

Hoje pela manhã recebi um telefonema do Leônidas, meu sobrinho e parceiro de blog, que veio com uma informação interessante:  dos cento e oitenta acessos que tivemos ontem, cento e quarenta foram dos Estados Unidos. Recebemos diariamente de quatro dezenas a cento e quarenta visitas por dia, mas a maioria absoluta delas vem de Brasil. Ontem foi um recorde.  Fiquei alegre e triste,  porque achei que por algum motivo parecemos mais interessantes a quem está nos Estados Unidos do que a quem vive aqui no Brasil.  Expressei isto a ele, que levantou uma hipótese: 
- E se alguém lá está nos investigando? Porque você ontem publicou que o capitalismo é perverso. Sabe que tem alguns caras que são paranoicos, não é?
- O que fiz de mais relevante que isso - respondi - foi divulgar que o Kennedy foi o mentor do golpe militar de 1964 e anexar ao "post" parte da edição do JB de 1988 com  a matéria, para dizer que o Brasil nunca teve motivos pra chorar o estadista morto.  Mas ainda assim não houve nos dias da minha postagem nenhum reflexo no sentido de muitos visitas dos Estados Unidos.
- Pois é - ele me disse - Tenho projetos de ir até lá. Só vou tirar as dúvidas se eles me negarem o visto, mas me parece meio estranho...
A partir daí ficamos a discutir o assunto.  Leônidas contou que  a Cia. já havia alertado sobre a possibilidade do último atentado na maratona e que já vinha investigando os suspeitos.  Admitimos também que os acessos poderiam ser de algum bairro ou colônia de brasileiros nos Estados Unidos, ou que algum americano ou brasileiro tenha saído compartilhando alguma nossa matéria que possa ter interessado a um número considerável (no nosso caso) de pessoas.  Mas não descartamos a possibilidade de algum investigador obsessivo ter cismado com a gente.  Talvez algum recente agente da Cia. (intriga internacional, que status!), carreirista, doido o obsessivo em suas ideias, tenha incutido coisa parecida na cabeça e dito aos seus pares:
- Quero ser um estrume gigante se esses caras não são um terroristas!  Olha só a cara de muçulmano que o mais velho tem tem:  é árabe na certa.  Vamos ver se tem alguma foto dele nu, pra ver se é circuncidado.
-  Mas, Petter - alguém refuta  -, circuncisão é coisa de judeu, não árabe.
- Ah, é! - o cara concorda, mas continua: - Ora, Joe, mas o que há com você?  Não vê que esses filhos-da -mãe são talibãs?  O que você quer afinal? Vai esperar que eles explodam a Casa Branca para acreditar.
Fico lembrando: nunca fomos bons com explosivos. Só me lembro de ter visto o Leônidas na infância brincando com estalinho: nada mais radical.  Quando eu tinha uns onze anos, meus colegas brincavam de acender bombinhas de são João e  abafar a explosão com o pés calçados de sapatos.  Fui fazer o mesmo e, com usava um par de congas, pegou fogo na sola do tênis. Fiquei muito assustado, mas consegui apagar sem me ferir.  Então de que modo poderia ser nocivo aos Estados Unidos?   Através das mensagens?  Ué? Mas se somos tão avessos a guerras e atos de violência, carnificinas, corpos ensaguentados nas ruas, como poderíamos fazer apologia deste tipo de coisas?  Do mesmo modo, nunca escrevemos uma palavra incitando quem quer fosse a qualquer prática truculenta.  Quereríamos então infundir um pensamento socialista no Brasil e no mundo?  Mas com que público para isto? Além do mais, reconhecemos que o socialismo não é mais que uma utopia, devaneio perdido no passado de muito sonhador. Mais ainda: se o próprios petistas, agarrados ao poder com a sofreguidão de amantes fogosos, não acreditam e jamais acreditaram em socialismo, porque nós seríamos tolos o bastante para acreditar?  Então lutaríamos pelo que não existe: mais produtivo participar do fã-clube do Batman.
Mas vamos voltar ao obcecado.  Imagine se ele ficou clicando direto o blog, toda hora, o tempo inteiro, clica daqui e clica dali, e amanhã vamos em busca de um anunciante, e este procura, verifica lá, verifica acolá, depois nos diz:
- Vocês são uns grandes pilantras. Têm parentes nos Estados Unidos e mandam eles passarem os dias clicando e visitando o seu blog. Seis mil acesso só de três computadores da rede? Fora daqui!
Enquanto isto o histérico estaria clicando, checando a cara e a bunda do blog, sonhando com chefia, direção, medalhas, promoção, fama, nome na história, essas coisas.
A hipótese se conformaria se nos acontecesse alguma coisa de ruim ou nossas vidas se transformassem num verdadeiro inferno.  Do contrário acho que temos mais é de comemorar os cento e oitenta acessos de ontem, ao mesmo tempo em que lamentamos porque a parcela maior destes  não veio da nossa terra.
  
Barão da Mata