domingo, 12 de abril de 2026

PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS (ou JOGA A GLOBO NO LIXO)

     "Seu Devair Boca Mole,  de Brioco Oferecido do Sul, cidadezinha a 3 cm de Não Sei Onde Fica, começou trazendo sua vaquinha para a praça da cidade, para vender copos de leite tirados direto do animal.  Míope, às vezes até se enganava e trazia seu boi, pois macho e fêmea eram malhados, mas as pessoas nem  percebiam e compravam e bebiam do leite, nem notavam a diferença.  Hoje seu Devair Boca Mole é o maior produtor de queijo da América Latina.  Como o senhor conseguiu fazer crescer tanto o seu negócio, seu Devair?"

"Buena, eu tomava viagra, depois passei pra tadalafila, que descobri que tem um efeito muito mais prolongado..."

"Não, seu Devair,  eu tô falando do negócio do queijo..."

"Ah, tá! Bah, foi simples!  Eu rezava muito pra santo Antão dos Bestas, depois fui trabaiando, trabaiando e deu nisso tudo que deu."

"Seu Mané da Caipora, de Saci de Três Pernas, que fica a a 8 mm de Furico do Mundo,  tinha um pé de manga no fundo do quintal e levava todos os dias cinco ou seis manguinhas maduras pra feira de Farofafá, vendia tudo e é hoje o maior produtor de mangas do Ocidente.  Seu Mané, como o senhor obteve tão grande sucesso?"

"Uai, fui rezando muito e pagando muita promessa em Nossa Senhora Aparecida,  dipois metia a mão na enxada, prantava, prantava, e agora é isso que cê vê."

"Seu Jabá das Candongas, De Buraco do Metrô, que sempre reutilizava as camisinhas que usava, pois achava um desperdício descartá-las, é  hoje o maior produtor de camisinhas-de-vênus recondicionadas do Brasil, um negócio pioneiríssimo no país!  O que o senhor pode falar sobre seu empreendimento?"

"Meu, o troço dá grana mesmo! Ante eu próprio catava as camisinha no chãos, mas a empresa cresceu tanto que tenho mais de mil catador de camisinha usada em toda a grande São Paulo."

A Globo, quer em suas novelas ou no seu programa insípido e monótono chamado "Pequenas Empresas, Grandes Negócios", quer passar a seus espectadores a ideia de que basta um sujeito começar um negocinho com uma jaca e um pedaço de pau pra ficar rico, que não se devem reivindicar melhorias nos níveis salariais nem tentar fazer valer os direitos de cidadão, como saúde, educação, emprego com salário digno do nome, segurança, habitação e outros direitos fundamentais de todo e qualquer ser humano.  Não duvido de que alguns com pendores para empreendimentos consigam crescer financeira e socialmente, mas fazem parte das exceções, não da regra, pois a maioria não consegue meios e/ou não tem vocação para negociante.  Há excelentes profissionais em todas as áreas, mas raríssimos dos que se desempregam ou se cansam de receber os salários miseráveis que o empresariado brasileiro paga  alcançam erguer um estabelecimento industrial ou comercial de estruturas sólidas:   a maior parte não vai além das carroças  de camelô, vendendo churrasco ou cachorro-quente, ou acabam como motoboys ou motoristas de aplicativo.

A Globo, porém, é asquerosa, é o maior celeiro da mentira e da omissão da verdade do país, e quer empurrar pela cabeça das pessoas adentro que o primeiro passo é ser cordato, o segundo, empreender, ora!  Produzir fortuna do nada.   Tenho a impresssão que esse pessoal que produz o "Pequenas Empresas..." cai sempre em gargalhadas incontroláveis, dado a grande audiência de otários que ficam diante da televisão, olhando aquele monte de baboseiras que a emissora veicula como possibilidades reais na vida de todo mundo.

E essa mensagem safada  as Organizações Globo não emitem somente através desses contos da Carochinha, mas também através de suas novelas, minisséries, especiais, em que qualquer zé-ruela consegue vir de uma miséria de impressionar indigente e de repente erguer um tremendo império empresarial.  Já passou e muito da hora de a sociedade parar de engolir essa mentirada e fantasia barata, e largar toda a programação da Globo na lixeira, com toda a sua inutilidade e todos os seus fedores.

A globo apoiou Bolsonaro em 2018, na falta de Tarcísio, fecha agora com Flávio Bolsonaro, tá emprenhada, como toda a grande mídia, inclusive a Uol, que não é lá essas coisas em matéria de poder econômico, em esmigalhar os políticos e as políticas progressistas a partir da sabotagem corrosiva da imagem dos poucos homens públicos honestos  e voltados às causas populares que há no Brasil, e o motivo é simples:  A Globo é capitalista retrógrada e furiosa, antipovo, antipobre, anti-classe-média (que é tão imbecil que se vê como quase rica e entre as camadas ungidas pelos globais) e não tem pudor quando precisa se  deslocar da direita pra cair extrema-direita, onde se sente confortavelmente em casa.

Como eu disse, já passou da hora de jogar a Globo no lixo. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

COISAS DO FASCISMO

                                                   


    


 Se levarmos em conta que Bolsonaro é misógino, sexista, ignaro, homofóbico, sem-empatia, negacionista, contrário a vacinas e à saúde pública, mentiroso, autoritário, golpista, incompetente,  odeia pobres e aposentados, acha que só as classes abastadas têm direito à vida e ao bem-estar social, e que as declarações de seus filhos fazem-nos no mínimo muito parecidos com ele, há de se depreender, então, que, caso eleito, Flávio Bolsonaro retornará à nefasta obra do pai.  Dá arrepios de imaginar.

Se avaliarmos a situação a partir do eleitorado do capetão, ops(!) desculpe, capitão, que é o mesmo de qualquer candidato de direita ( a direita não tem muito pudor e se converte facilmente em extrema-direita, desde que seus privilégios -- ou, no caso do direitista pobre, os privilégios dos que ela idolatra -- sejam mantidos), veremos que o Brasil não será, como não vem sendo (graças à atuação maligna das forças reacionárias), um país onde irá haver ordem, e isso a gente percebeu desde o momento em que, em 2018, foi anunciada a vitória do Bozo na disputa eleitoral.  Exemplo disso é que, naquele dia, eu morava em Araruama, no Rio, e fora a Arraial do Cabo. Quando voltei do passeio, fiquei boquiaberto:  era tanta garrafa de  cerveja long neck   largada, inteira ou quebrada,  nas  calçadas e na pista, que parecia ter havido uma revolução em que  as armas  eram aquela frascos de vidro.  Alguns dizem que o vidro é quebrado com cerveja e tudo em oferendas ao chamado "povo de rua", mas duvido muito que algum exu ou pomba-gira em sã consciência queira tanta destruição.  Há os que alegam que é para extravasar as emoções, como  fazem no Natal e na virada do ano, mas a verdade é que explodem fogos e quebram coisas pelo simples prazer do exercício da destruição e da arruaça.  

Fico imaginando as comemorações em caso de triunfo do "pimpolho" Bozinho.  As ruas cheias de milicianos, traficantes, uma legião de feminicidas, homófobos, desordeiros,  violentos, ignorantes, etc, todos promovendo um imenso carnaval fora de época e quebrando garrafas  e espalhando tiros de armas de fogo a três por dois.

Imagine agora a política salarial:  aposentados, servidores públicos de carreira, trabalhadores ativos não terão vez apesar de alguns participarem dessas verdadeiras folias satânicas -- não por eventualmente bozistas envolverem entidades africanas nos festejos (até porque a moda é ser evangélico, e as religiões da África estão em baixa e sofrendo perseguições), mas pela índole dos que estiverem engajados nas comemorações.  

O SUS vai direto à privatização ou extinção,  as mortes vão  se multiplicar de forma assustadora, as vacinas serão negligenciadas.  Por que essa palhaçada de comprar vacinas, se não servem pra nada?  É gastar dinheiro à toa, quando tem tanto bilionário e tanto banqueiro de boca escancarada, esperando as verbas do governo como passarinho de bico aberto à espera de receber comida do bico da mãe.   Aí vai surgir uma epidemia de Covid no Brasil, mas não haverá necessidade de ninguém se vacinar, segundo o ministro da Saúde, Jair Bolsonaro, retirado da cadeia por ato autoritário do presidente Bozinho, que terá aproveitado o ensejo para cerrar as portas do STF, deixando lá de plantão apenas André Mendonça e Nunes Marques, para depois nomear uns sessenta ministros, todos amigos da família, e assim recompor a  Corte.  Bolsonaro não será ministro apenas da Saúde, mas da Casa Civil, Casa Militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Defesa e presidentte vitalício do Supremo, acumulando todos os cargos, recebendo por cada um deles, mas passando os dias a pescar em Angra e aproveitando os domingos de descanso para promover e participar de motociatas.  Sobre a desnecessidade de imunização, alíás,  é preciso compreender que a necropolítica é muito importante para a robustez financeira dos governos autocráticos, que precisam dar muitos mimos às elites para estas manterem, mais que apoio, a sustentação a eles.  Velhos mortos e ausência de saúde pública geram uma puta economia aos cofres públicos, que aí passam a ter muito mais folga e conforto pra distribuir benesses entre seus representantes talibãs. 

                                         


Matar mulheres,  homossexuais, animais, pobres e idosos estará liberado, mensagem subliminar perfeitamente entendida já nos dias de hoje, em que o governo é progressista, mas a gritante maior parcela dos políticos e autoridades é de exrema-direita.  Só que os eleitores idiotas não entendem é que despossuídos, independentemente de serem idólatras da família Bozo, estarão todos sujeitos a desmandos como os que houve no tempo da ditadura militar.  As polícias saíam às ruas pra prender, matar e baixar a porrada, e não perdoavam desempregados e desordeiros de boteco, e não perguntavam a ideologia de suas vítimas: não será criada uma carteira de fascista.

Não tenho dúvida de que São Donald Trump, deus dos fascistas e estúpidos do Brasil, terá uma participação importante na volta dos extremistas de direita ao poder, só não posso mensurar ainda o tamanho e as características dessa interferência.

 

O lado bom do fascismo é que um dia ele acaba, embora em geral se haja de esperar por uns vinte e poucos anos.  Pelo menos é o que podemos imaginar quando verificamos o tempo que Hitler e Mussolini permaneceram  no poder.  A própria ditadura brasileira durou vinte e um anos. No entanto, se considerarmos os casos de Stroessner  e Franco, que governaram respectivamente o Paraguai e a França França por 36 anos,  e a ditadura salazarista, que durou de 1933 a 1974, veremos então que a galerinha sadia irá precisar de um pouquinho mais de paciência. Coisas do fascismo.


                                                        




Barão da Mata

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

JÂNIO E O ALMOÇO INDIGESTO SEM COMIDA

 



        Essa o Sebastião Nery contou no programa do Jô Soares.

Jânio Quadros, ao retornar do exílio, que amargara alguns anos após renunciar à presidência da República (sem explicar os motivos exatos), foi convidado por um antigo desafeto, que queria com ele fazer as pazes, para um almoço em sua homenagem.  Jânio compareceu sem nenhuma objeção, e, enquanto a comida não ficava pronta,  bebia, bebia e bebia, assim como o anfitrião, que, a certa altura da conversa, resolveu mandar a reconciliação pras cucuias e perguntar:

--Explica uma coisa pra gente, Jânio! Por que foi que você renunciou?

Jânio mostrou descontentamento,  a turma do deixa-disso colocou-se entre os dois, mas o ex-presidente falou mais alto:

--Se ele quer saber, responderei.

Depois voltou-se para o dono da casa, grave e incisivo:

--Tu queres saber? Responder-te-ei!  -- repetiu: -- Tu queres saber? Responder-te-ei! -- e veio com a sentença final: -- É que no Alvorada a comida é uma merda igual à que servem na tua casa.

E saiu casa afora, seguido pela comitiva que o acompanhava.


Barão da Mata

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BRIZOLA E A FOGUEIRA DE SÃO JOÃO

 

        Leonel Brizola era um político muito hábil e com uma grande capacidade de livrar-se de situações embaraçosas.  E tais circunstâncias não lhe faltaram em toda a vida política, sendo uma delas numa entrevista que deu a um grupo de entrevistadores  imagina de que emissora... Da "Rádio Globo"!  Era início de 1989, ano eleitoral, e a "Globo", enquanto tentava (e conseguia) convencer o Brasil de que Collor era Jesus Cristo que retornara, aliava-se aos militares (que  odiavam Brizola visceralmente) e a todas as forças de direita e extrema-direita para não permitir de modo algum que o político gaúcho ganhasse aquela eleição.   Para esses grupos, se o ex-governador perdesse no pleito, seria bom, mas, se tivesse a candidatura cassada, melhor ainda.  Foi com esse intuito, então, que um dos entrevistadores, num dado momento, indagou-lhe sobre o que achava do episódio à época recente, em que um general fora preso pelo alto comando das forças armadas por ter feito críticas ao governo federal.  Brizola, experiente,  velha raposa,  nem titubeou para responder:

--Certas questões são como fogueira de São João:  é melhor passar por cima (pular).



Barão da Mata

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O CANÁRIO FALSIFICADO

 



    O meu irmão Carlos era um gozador nato, um homem  criativo e engraçado em matéria de inventar anedotas e situações jocosas.  E não deixou passar a oportunidade quando um conhecido contou que fora a uma feira livre e, enganado pelo camelô, comprou um pardal como se fosse um canário.  Claro que por amar os animais sou avesso a pássaros em gaiola, mas só estou contando  o fato sem fazer julgamentos.  

A questão é que, após saber do caso, meu irmão modificou a história e inchou-a de mentiras para que ficasse divertida:

--O Chiquinho foi comigo à feira pra comprar um canário.  Comprou, e, quando a gente voltava pra casa, veio uma chuva e começou a molhar o passarinho.  Então, percebemos que o canário começou a ficar marrom, e, enquanto andávamos, o canário ia ficando marrom, e o Chiquinho ia ficando amarelo, o canário ia ficando marrom, e o Chiquinho ia ficando amarelo...


Barão da Mata

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O CASO DA MASTURBAÇÃO NO PRÉDIO PÚBLICO

 

O fato se deu nos anos 1980.

Quando as sedes do Tribunal Regional do Trabalho e da Delegacia Regional do Trabalho do Rio dividiam o mesmo prédio, um funcionário do TRT foi surpreendido por um agente de segurança enquanto masturbava um outro homem num banheiro público do edifício. Muito provavelmente terá sido instaurado processo disciplinar e tido algum desdobramento, mas o fato é que, muitos anos depois, um advogado muito divertido e brincalhão comentou comigo sobre o episódio e contou que, à época, após já saber da história, alguém veio a ele contá-la, não o deixando resistir à tentação de divertir-se em lançar uma dúvida absolutamente desatrelada da verdade:

--E tá confirmado que o outro era mesmo o delegado regional do trabalho?

E o boato, segundo ele, teria ficado correndo à boca miúda.


Barão da Mata

TANCREDO NEVES E A BRIGA DE GALOS

 





        Depois da renúncia de Jânio Quadros, que proibira a corrida de cavalos, os consursos de misses e as brigas de galos, e da assunção de Jango à Presidência da República condicionada à implantação do parlamentarismo no Brasil, Tancredo Neves assumiu como primeiro-ministro e deixou que os rinhas e os hipódromos voltassem a funcionar normalmente e, dias antes do primeiro concurso de misses que seria realizado após sua posse, era insistentemente indagado por um assessor:

--Doutor, vai haver concurso de misses este ano ou não vai?

Tancredo sempre respondia que sim e, quando indagado pelo mesmo servidor sobre as brigas de galos e corridas de cavalo, dizia sempre de um modo meio evasivo que não faria nenhuma repressão sobre as duas questões.  Num certo dia, entretanto, às vésperas do desfile das moças, o mesmo assessor voltou a insistir:

--Doutor,  vai haver desfile?

--Sim.

--Se o desfile,  as rinhas e corridas de cavalos não são mais proibidos, por que o senhor não publica uma portaria dando conta das permissões?  

Tancredo disse não achar necessário, mas ante a continuação da persistência, respondeu:

--É que eu não quero ser lembrado como o homem que liberou o concurso de misses, a corrida de cavalos e a briga de galos.

Outra sobre o Tancredo é que ele, uma vez eleito governador de Minas Gerais, em 1982, passou a ser frequentemente abordado por um conhecido que vivia a dizer-lhe:

--Doutor Tancredo, estou de cansado de ser indagado pela imprensa sobre se vou ou não ter uma secretaria no seu governo.  

Numa dessas abordagens, porém, Tancredo o instruiu:

--Faça o seguinte: diga a eles que eu insisti muito, mas você não aceitou.


Barão da Mata

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