A TV Globo, nos anos 1970, produziu vez uma adaptação para televisão da história de Jekyl e Hyde, feita por Domingos de Oliveira e estrelada por Sérgio Cardoso, dois nomes de grande peso da teledramaturgia brasileira. A versão da Globo, confesso, me encantou mais do que o próprio livro, porque nela o personagem (Jekyll) do falecido ator dizia aos frades de um mosteiro mais ou menos o seguinte:
- Ninguém é totalmente bom nem totalmente mau. Talvez os santos tenham lutado arduamente até expulsar o demônio que tinham dentro de si.
Devia ter eu uns quatorze anos quando vi o especial. Gostei muito, e tal proposição filosófica talvez me tenha induzido a começar a questionar os heróis ou ao menos os heróis absolutos.
Essa dualidade fica mais clara ainda nas alegorias em que Buda, sob uma figueira, luta contra Mara, o demônio das ilusões, e Cristo, contra Satanás em pleno deserto. As duas lendas mostram a batalha de ambos contra as próprias tentações e a faceta adversa dentro de si mesmos: homens praticantes de virtudes em guerra feroz contra a própria tendência aos vícios, tão inerentes a nós. São belíssimas passagens de cunho religioso que mostram o quanto Jesus e Sidarta eram humanos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário