Nós nos denominamos Pensadores de Birosca não porque de algum modo sejamos inconsequentes, irresponsáveis ou idiotas (como nem tampouco achamos que tais características sejam inerentes aos frequentadores de bares como nós), mas porque é um nome despretensioso e descontraído, da mesma forma como não queremos arrogar a condição de pensadores propriamente ditos ou de analistas ou especialistas do que quer que seja. O título nos dá a liberdade que companheiros de botequim têm em abordar os temas que bem lhes venham à cabeça, sem preciosismos e sem medo de soltar o pensamento.
Um espaço essencialmente irônico, humorístico, sarcástico, que lança um olhar crítico e analítico sobre os momentos e acontecimentos do Brasil e do mundo.
sábado, 7 de setembro de 2013
A GLOBO É A REEDIÇÃO DA IGREJA DE ONTEM E ODEIA DEMOCRACIA
Não há nada que a Globo mais odeie do que uma atmosfera democrática. Falo atmosfera democrática porque não creio que em país nenhum do mundo "o poder emane do povo e em nome dele seja exercido". Para atestar a verdade do que digo, mande mesmo o povo suíço colocar os maiores interesses e o poder dos mandatários em xeque. Para que tudo fique aliás bem claro, NÃO CREIO EM DEMOCRACIA NO SENTIDO DE NÃO GOSTAR OU ACHAR QUE NÃO SEJA BOA, MAS NO DE SABER QUE OS GOVERNOS DO MUNDO INTEIRO NÃO TÊM A DISPOSIÇÃO DE MANTÊ-LA QUANDO ELA COLOCA SOB RISCO OS PONTOS DE QUE ELES NÃO ABREM MÃO. E você sabe perfeitamente que isto é a pura verdade, porque, quando por exemplo alguns governos europeus resolveram apoiar o bestial e demoníaco George W.Bush na empreitada de invadir o Iraque, e parte de seus cidadãos (europeus) fizeram manifestções contrárias, os jagunços fardados do poder (militares e policiais), desceram a porrada no lombo dos manifestantes, sem a menor contemplação.
Se assim é na Europa, imagine no Brasil, onde o revezamento entre democracia e tirania é cíclico. Se você duvida, é só pesquisar e ver que Getúlio Vargas fez a Revolução de 1930, governou respeitando direitos civis durante sete anos e criou a seguir o despótico e pavoroso Estado Novo, caindo em 1945 para o país experimentar um período de liberdade de 19 anos. Mas liberdade relativa, com duas intervenções militares: a que tentava impedir a posse de Juscelino Kubitscheck em 1956 e a que tirou os poderes de João Goulart em 1961. Até, após Jango obter poder de governar após plebiscito, acontecer o golpe de 1964 e os poderosos do país, latinoamericanos como os de Cuba, Colômbia e Haiti, mostrarem sua feição autoritária e tratarem a sociedade na ponta da faca durante 20 anos, quando permitem a eleição de um civil, Tancredo Neves, dentro das regras estabelecidas pelas forças armadas.
Como podemos constatar, o Brasil alterna períodos de quase-democracia com regimes totalitários, e, assim como Assis Chateaubriant e o seu "Diários Associados", que apoiou o Estado Novo de Vargas e ajudou Carlos Lacerda a levá-lo ao suicídio quando o mandatário governava dentro do estado de direito ( e só apoiou Lacerda porque viu que o presidente já estava politicamente morto), assim como Assis Chateaubriant, a Globo parece que tem uma simpatia desmedida pelos regimes capitalistas opressores, e isto é fácil entender: dá-se justamente porque são (os regimes) capitalistas (e rechaçam o mais leve pensamento progressista) e mantêm incólume todo o patrimônio e fortuna da famíla global. Além do mais, a Globo está para os governos asssim como a Igreja ao longo da Antiguidade à Idade Moderna para o reis: "Eu legitimo o teu poder te dizendo governo de Deus, e tu me manténs poderoso como tu." POR FAVOR, CATÓLICOS! NÃO CREIO EM DEUS, MAS NÃO ESTOU ATACANDO A IGREJA DE HOJE! Mas só este conchavo explica os anos de adulação das emissoras e jornais da rede a todos os presidentes que o Brasil teve, enquanto, é lógico, estes não caíram em desgraça, como Collor, eleito por aquelas entidades e por elas mesmas abandonado e de um certo modo até combatido em sua derrocada política de 1992. Ou seja, a Globo o elegou e depois engrossou o coro de quem o queria ver pelas costas, por conta de sua gestão haver feito água: do contrário, tê-lo-ia apoiado.
Se há alguma dúvida da veracidade das coisas que eu disse, vamos fazer um breve exame da questão: por que os globais, em 2002, tentaram conter o crescimento da candidatura Lula, a ponto de o ex-presidente (ex mesmo?), na série de entrevistas aos presidenciáveis promovida pelo canal de tevê, ter recebido de William Bonner a pergunta-disparo: "O senhor é membro das FARC?". Depois do raquítico apoio do governo FH ao correligionário José Serra e de sentir o rumo dos ventos levando Lula à vitória, mudou imediatamente o tratamento e, depois de se convencer de que o amado (não por mim) ex-futuro-atual-presidente faria um governo tão socialista quanto o pensamento de Roberto Campos e Delfim Neto, passou a apoiá-lo sitematicamente, havendo se colocaddo entre os opositores do PT quando, nas eleições presidenciais de 2010, a candidatura de Dilma caiu a ponto de permitir a ida de Serra ao segundo turno, estampar na primeira página do "Extra": "Lula é bonito". Num claro deboche às reclamações do nosso "herói", que se queixava de que as organizações faziam campanha contra ele e sua pupila. Mal-sucedida em derrubar a candidata do PT, o sistema de comunicação resolveu encher a presidente de beijos e abraços, e assim faz até hoje. Hoje mesmo, dia 7 de setembro de 2013, quando, noticiando os distúrbios entre manifestantes e a polícia durante os desfiles miilitares, o repórter do globocop disse que alguns manifestantes, quando fugiam às porradas e bombas de gás lacrimogêneo da refinada tropa de choque da PM do democrático e popular Sérgio Cabral, "aproximaram-se dos que assistam à parada, numa atitude covarde e que submetia a platéia a riscos". "Atitude covarde", veja só! Nunca ouviu acaso o nosso nobre repórter falar em instinto de preservação, autodefesa, essas coisas fictícias a que a Psicologia insiste em fazer referências?
O restante da mídia realmente não é um poço de virtudes, mas a Globo exagera, não gosta definitivamente de clima democrático e nem tampouco da verdadeira informação, porque faz questão de ser uma luz distorcida na escuridão, com o fito de conduzir o país ao encontro dos seus interesses e conveniências. Daí precisar desgastar a imagem dos manifestantes, transformá-los em arruceiros e confundi-los com os vândalos, os delinquentes e os provocadores. Porque faz-se mister, para ela, que o poder público tome medidas duras, que abafe a democracia, que apague o que há de pensamento, de visão, de oposição a tudo o que os globais preservam. Não quer o desgaste de Dilma, porque ela mantém o status quo que a favorece (à Globo), e necessita de que a presidente rescrudesça, para ajudá-los nessa empresa de nutrir a versão contemporânea do antigo conluio Igreja-Estado.
Barão da Mata
terça-feira, 3 de setembro de 2013
CANÇÃO DE UM PREFEITO CORRUPTO (COISA ALIÁS RARÍSSIMA NESTE PAÍS)
O prefeito corrupto, personagem aliás absolutamente fictício, porque não creio na hipótese de existir no Brasil... Mas vamos lá: o inexistente prefeito corrupto, parado a observar um logradouro de fora de sua jurisdição, cantaria "SE ESSA RUA FOSSE MINHA" com a seguinte letra:
Se essa rua, se essa rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava esburacar,
Faturava uma fortuna de propina,
Pois mandava a empresa superfaturar.
Essa rua, essa rua tem um poste
Que eu deitava, que eu deitava bem no chão,
Pr'erguer outro contratava um construtor
Que me desse uma grana bem na mão.
Se roubei nesta vida um dinheirão,
Inda é pouco, pois no fundo o povo é zen.
Inda quero, inda quero muitas obras,
Pra deixar minha gente muito bem.
Barão da Mata
Se essa rua, se essa rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava esburacar,
Faturava uma fortuna de propina,
Pois mandava a empresa superfaturar.
Essa rua, essa rua tem um poste
Que eu deitava, que eu deitava bem no chão,
Pr'erguer outro contratava um construtor
Que me desse uma grana bem na mão.
Se roubei nesta vida um dinheirão,
Inda é pouco, pois no fundo o povo é zen.
Inda quero, inda quero muitas obras,
Pra deixar minha gente muito bem.
Barão da Mata
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
FELIZ ANIVERSÁRIO PENSADORES DE BIROSCA
HOJE, COMPLETA UM ANO DE EXISTÊNCIA O BLOG "OS PENSADORES DE BIROSCA"! A coisa foi indo bem e num instante chegamos até vocês! Criamos nossas postagens com muita descontração e improviso, mas sempre pensando em trazer algo relevante para quem está observando aí do outro lado.
Todavia, gostaria de dedicar este dia ao meu parceiro nesta empreitada e idealizador persistente deste espaço... o grande Barão da Mata, poeta, cronista, contista e agora compositor, que a cada dia vem aprimorando talentos como um garoto em pleno desenvolvimento.
Certo de que estamos além de minhas primeiras expectativas, digo hoje que, com certeza, poderemos ir bem mais adiante, pois é um grande prazer escrever em colaboração consigo, meu caro Barão!
Vida longa aos Pensadores!
RÁDIO BESTEIROL - QUE SEJA AMOR
Lá vem Elias Neira, o romântico locutor da Rádio Besteirol com o mais mela cueca programa do rádio brasileiro: "Que seja amor". Elias não tem dúvidas de que o mundo precisa de mais amor para ser melhor.Com uma rosa na mão, seu charme de dançarino de tango e sua voz de galã (de pornochanchada), ele vai conquistar você.
Que seja amor, amigos...Que seja amor!
domingo, 1 de setembro de 2013
A CADELINHA DO HOMEM
Não é nenhum conto erótico minha gente! Não se lembram do post "O homem e a cadelinha doente" em que Barão da Mata trouxe aos frequentadores desta birosca uma bela história real? Uma história de solidariedade e sobrevivência que se transformaram em amor e amizade. Se perderam, encontrem a narrativa no link abaixo.
http://www.pensadoresdebirosca.blogspot.com.br/2013/08/o-homem-e-cadelinha-doente.html
Quando encontrou seu salvador, a cadelinha estava magra, doente de sarna, pneumonia e não enxergava por ter os olhos tomados por secreção. Sem saber, estava caminhando para o meio da estrada, mas ao invés de uma morte trágica, encontrou Ernesto Colli e uma chance de renascer.
Pois bem, apresentamos a vocês Chica, a cadelinha benta, como um milagre possível, que cada um disposto a adotar um animal pode realizar.
Bem vinda, Chica. Este blog é seu também.
LUCIANA
Deitaram-se na cama e Luciana lhe ofereceu os lábios ávidos. Vestido curto, leve, solto, quase transparente, preto com estampa de pontos brancos. Guilherme ergueu o corpo da mulher e a sentou no colo, como fora ela um achado raro e precioso, um diamante, uma esmeralda, o bem maior do mundo inteiro.
Sabia que a moça era de se dar com facilidade, que tinha vários amantes e que jamais lhe entregaria a alma tão liberta e aventureira. Sabia também que a não queria para si, pra todo o sempre ou alguns anos. Mas naquele momento a amava como o mais extremoso enamorado, como o mais possessivo dos machos existentes. Porque a desejava... como a desejava! Ah, como a desejava! Queria tanto desfrutar aquele corpo esguio e pálido, as pernas magras e roliças que há tanto cobiçava, sentia tanto prazer em tê-la na cama, que o ardor parecia amor, entrega, sentimento fundo, suplicante e desvanecido.
No dia seguinte talvez Luciana fosse de outro, mas isto não importava ao homem, que era tão ávido e sôfrego, que achava que o tempo não passaria, que aquele momento se eternizaria; que não tinha ciúmes, mas só desejo: um desejo de longo tempo, um desejo que não tinha medidas, um fogo que lhe abrasava o corpo inteirinho.
Levantou-lhe o vestido, deitou-a na cama, arrebatou-lhe a calcinha de renda e por pouco não lhe rasgou o escuro vestido. Beijou-lhe a boca longamente inúmeras vezes, sugou-lhe os seios, a língua, os lábios, a vulva e as nádegas, cheirou a mulher por inteiro: cada milímetro do corpo e cada cavidade, e toda cavidade do corpo de fêmea, candente, adentrou.
Amanhã quem sabe outro a ela faria tudo o que ele agora fazia, mas pouco a Guilherme importava: hoje a mulher era dele; dele somente, e era na essência a mais pura magia: ninfa, deusa, valquíria, sereia, feminino demônio ou outra entidade, mas algo que em definitivo ao homem enlouquecia.
O casal gemia, arfava, gozava, fremia, e tê-la consigo num ballet tão frenético, entre frases tão quentes, obscenas palavras, lascivas carícias, era para Guilherme a conquista maior, a chegada ao paraíso, e este sequer se lembrava de algo que houvesse além do desejo, delírio, deleite, prazer inefável, esquecido mundo, da vida, do ontem, do dia vindouro, que havia amanhã.
Barão da Mata
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