Vote em Flávio Bolsonaro, e quem vai dançar é você
Barão da Mata
Fotos: Google
Um espaço essencialmente irônico, humorístico, sarcástico, que lança um olhar crítico e analítico sobre os momentos e acontecimentos do Brasil e do mundo.
Primeiramente, entendo que devo dirigir-me a Deus para dar-lhe ciência de uma injustiça. Mas Deus não é onisciente? Então, vai daqui uma cobrança e um respeitoso quase-protesto.
Ó Deus, não vos furteis a me esclarecer por que há pessoas que neste mundo nascem, paridas de ventres por vós designados, mas não têm o devido reconhecimento de sua inequiparável grandeza, de sua rara, nobre e sublime elevação! Frutos esplêndidos, angelicais e valorosos de vossa tão maravilhosa criação, de uma elevação que nos faz diante deles parecer, meros e pequeninos humanos que somos, vis e chãos como as coisas menos relevantes e mais desprezíveis do Universo que criastes com toda a vossa imensurável e singular sabedoria.
Agora vamos deixar de nhém-nhém-nhém e partir para o que interessa. Quero falar da "excelsa" Michelle Bolsonaro, que a grande mídia, ávida de chutar Lula da cadeira da Presidência da República e suplicando para não ter de carregar o enteado de Michelle, Flávio Bolsonaro, numa liteira, insiste em fazer da mulher uma política de grande expressão, uma líder nata, com feitos de enormidade incalculável, uma política da habilidade e competência de Getúlio Vargas (que, apesar de autoritário e fascistoide ao longo primeiro governo, de quinze anos, era inquestionavelmente realizador e desenvolvimentista, podendo, apesar de ter martirizado tantos comunistas, ser hoje considerado até progressista se equiparado aos políticos de hoje, quando levamos em conta a adoção da legislação trabalhista que copiara, segundo historiadores, do modelo do fascista Mussolini, um extremista de direita que também foi contraditório ao dar vida a um código de leis de proteção aos trabalhadores absolutamente avançado. D'onde se deduz, sem nenhuma ironia, que atrasadas, retrógradas e medievais são as relações brasileiras de trabalho de hoje, pré-getulianas e pré-mussolinianas, com um monte de flexibilizações, contratos eventuais e frágeis, graças a um monstro-vampiro social chamado Michel Temer.
Mas vamos parar de abrir parênteses para tratar de temas paralelos e abordar o tema central?! Poxa! Isso irrita qualquer Jó!
Vamos ao tema! O tema é Michelle!!Michelle! Mi-chel-le! Entendeu!? Pois então vamos a ela.
Michelle nasceu em 1982, com quarenta dentes, dizendo: "Eu sou a sábia dos sakia, ops(!), quer dizer, dos brasileiros. No céu acima e na terra abaixo, eu sou a criatura mais honrada e vou dissipar o sofrimento que enche o mundo." Um prodígio mesmo!
Antes de ser funcionária dos gabinetes do Congresso Nacional, deu uma passadinha na Judeia e, ao ver o túmulo de Lázaro, gritou para o finado: "Lázaro, vem pra fora! Ergue-te, Lázaro!" e o defunto saiu da tumba, curado da lepra e vendendo saúde. Logo a seguir a milagrosa proferiu: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá, e quem crê em mim viverá eternamente."
Ainda no início do namoro com Jair Bolsonaro, em 1941, foi a Volta Redonda e lá construiu a Companhia Siderúrgica Nacional. Já no período de noivado, em 1953, engajou-se na campanha "o petróleo é nosso" e fundou a Petrobrás. Michelle é grande mesmo: só não vê quem não quer ser enganado. Na sua epopeica trajetória, ainda teve tempo de, em 7 de setembro 1822, ir à margem do Riacho Ipiranga e dar o grito de liberdade em prol do provo brasileiro: "Independência ou morte!" No entanto, em 7 de setembro de 2022, o grito foi outro. Michele ficou em Copacabana, no palanque ao lado do marido, ouvindo a turba bradar para ele: "Imbrochável! Imbrochável! " Pensei até que a data passasse a partir dali a comemorar não mais a Independência, porém se tornasse "O Dia do Imbrochável".
Flávio vai trombando contra a própria cara na campanha à Presidência. Quando fala ou age, parece o Rei Midas às avessas: tudo o que toca vira bosta. E aí os globais, os uóis, os folhóis, estadonóis, cnnóis, etc esfregam as mãos: "Será que depois do vídeo que ela gravou, da briga com o enteado e de ele tropeçar tanto nas próprias pernas, o Costa Netto vai desobedecer ao Jair e colocar a madrasta como candidata, no lugar do filho?" Enquanto rezam terços, novenas, colocam alguidares com flores, frutas e cabeças de bode nas encruzilhadas, ficam dissertando horas mortas em seus debates sobre ela. Quando faltam argumentos, ainda partem pra apelação: "Afinal de contas ela é mulher." Gozado, eu nem tinha notado... Mas ainda prefiro a Paolla Oliveira! Tem ainda a Camila Pitanga, continuando em forma e linda e gostosa como o quê. Não esqueçamos a Anitta, a Iza e outras tantas, muito mais atraentes do que Michelle e sem pertencer à extrema-direita, sem ser cria política de Jair Bolsonaro e Costa Netto, sem representar um perigo à democracia, sem defender um Estado teocrático talibã no Brasil.
Essa gente da mídia corporativa e/ou hereditária, defensora do agro, dos grandes brancos, empresas e conglomerados financeiros, amiga carne-e-unha da Faria Lima com seus investidores de todos os tipos (inclusive os oriundos do crime organizado), quer nos impingir Michelle de qualquer modo, mas já começa a tentar ver uma luz no fim do tùnel (ou melhor, umas trevas no final da luz) quando Caiado anuncia Kassab para vice na sua chapa. Aí esse bando de enganadores vê um plano B e anuncia essa dupla, tentando levar o eleitorado ao júbilo extremo de quem pode votar na dupla Batman e Robin... ou Zorro e Tonto, ou Pelé e Tostão, ou Cristiano Ronaldo e Messi, ou Mulher-Maravilha e Superman... De minha parte, entretanto, declaro veementemente que não votaria em Michele, Flávio, Kassab, Caiado, em ninguém da direita mesmo que me empurrassem três garrafas de cachaça goela abaixo, porque até poderiam destruir minha lucidez, mas daí a me transformar num imbecil existe uma distância muito grande.