Depois da renúncia de Jânio Quadros, que proibira a corrida de cavalos, os consursos de misses e as brigas de galos, e da assunção de Jango à Presidência da República condicionada à implantação do parlamentarismo no Brasil, Tancredo Neves assumiu como primeiro-ministro e deixou que os rinhas e os hipódromos voltassem a funcionar normalmente e, dias antes do primeiro concurso de misses que seria realizado após sua posse, era insistentemente indagado por um assessor:
--Doutor, vai haver concurso de misses este ano ou não vai?
Tancredo sempre respondia que sim e, quando indagado pelo mesmo servidor sobre as brigas de galos e corridas de cavalo, dizia sempre de um modo meio evasivo que não faria nenhuma repressão sobre as duas questões. Num certo dia, entretanto, às vésperas do desfile das moças, o mesmo assessor voltou a insistir:
--Doutor, vai haver desfile?
--Sim.
--Se o desfile, as rinhas e corridas de cavalos não são mais proibidos, por que o senhor não publica uma portaria dando conta das permissões?
Tancredo disse não achar necessário, mas ante a continuação da persistência, respondeu:
--É que eu não quero ser lembrado como o homem que liberou o concurso de misses, a corrida de cavalos e a briga de galos.
Outra sobre o Tancredo é que ele, uma vez eleito governador de Minas Gerais, em 1982, passou a ser frequentemente abordado por um conhecido que vivia a dizer-lhe:
--Doutor Tancredo, estou de cansado de ser indagado pela imprensa sobre se vou ou não ter uma secretaria no seu governo.
Numa dessas abordagens, porém, Tancredo o instruiu:
--Faça o seguinte: diga a eles que eu insisti muito, mas você não aceitou.
Barão da Mata
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