Será que Jim Caviezel, ao encanar o papel de Jair Bolsonaro, interpretava Tiririca pensando interpretar Winston Churchill?
Barão da Mata
Foto: Google
Um espaço essencialmente irônico, humorístico, sarcástico, que lança um olhar crítico e analítico sobre os momentos e acontecimentos do Brasil e do mundo.
Será que Jim Caviezel, ao encanar o papel de Jair Bolsonaro, interpretava Tiririca pensando interpretar Winston Churchill?
Barão da Mata
Foto: Google
Diante dos acontecimentos ligados a Daniel Vorcaro, Banco Master, Mário Frias (ou Mário fria?), o "Os Pensadores de Birosca" resolveu atender à demanda e criar um espaço para aqueles que desejam oferecer canções às pessoas que lhes são caras. É um espaço nostálgico, pois não vejo programas de rádio assim desde o fim dos anos 1970, e por isso mesmo é salutar e poético resgatar essa praxe.
Quem inaugura o espaço é o nosso querido e já conhecido locutor Ezequias Neira, que a partir deste momento fica com vocês.
EZEQUIAS NEIRA:
--Queridos ouvintes e amigos da "Rádio Besteirol", é com imenso prazer e alegria que volto a apresentar, para o infinito orgasmo e abundante ejaculação de sua alma, mais um programa "Que Seja Amor". Seu amor à sua cunhada, do sogro à sua nora, dos políticos ao Banco Master, ao Orçamento Federal, amor dos fascistas à tortura e ao autoritarismo, amor de toda direita à miséria do povo, à desigualdade social, mas que seja aaaamor!
Hoje este seu locutor se furta a declamar um poema de sua autoria, mas abre mão da apresentação de suas lindas e primorosas poesias para que o nosso querido presidenciável e senador Flávio Bolsonaro, baluarte da retidão e dos bons costumes, filho de um inesquecível herói do Nosso País, Jair Bolsonaro, grande filósofo do estupro por merecimento e da escola dos cloroquínicos. Mas vamos à música, mais que amados ouvintes. Eduardo Bolsonaro oferece a Daniel Vorcaro, como apreço e carinho, "Me Dá Um Dinheiro Aí".
"Ei! Você aí!
me dá um dinheiro aí,
me dá um dinheiro aí...!"
EZEQUIAS NEIRA NOVAMENTE:
--Dando prosseguimento ao perfil romântico do nosso programa, agora é o excelso deputado Mário Fria, desculpem, Mário Frias, que dedica uma bela canção ao mesmo Daniel Vorcaro, o valoroso mecenas do Brasil contemporâneo.
"Obrigado, senhor,
agradeço, obrigado, senhor!
Obrigado, senhor,
agradeço, obrigado, senhor!"
Obrigado, senhor!"
]
EZEQUIAS NEIRA:
--Maravilhosas canções, não, meus muito amados ouvintes? Este magnífico espaço estará sempre reservado a todos os que porventura queiram oferecer canções às pessoas que amam, idolatram, veneram e que lhes são profundamente importantes. Em nosso "Que Seja Amor!" de hoje estava programada a participação do augusto senador Ciro Nogueira, mas Sua Excelência estará provavelmente neste momento extremamente ocupado com seus afazeres oficiais em prol do povo brasileiro, porém oportunamente, tenho certeza, irá marcar sua inestimável presença neste afável e enamorado programa.
Até a próxima, amados amigos, e não se esqueçam: "Que Seja Aaaamor"!
Barão da Mata
Fotos: Google
Bolsonarista raiz,
não se deixe corromper:
tome detergente Ypê
e faça o Brasil mais feliz.
Barão da Mata
Foto: Google
"Seu Devair Boca Mole, de Brioco Oferecido do Sul, cidadezinha a 3 cm de Não Sei Onde Fica, começou trazendo sua vaquinha para a praça da cidade, para vender copos de leite tirados direto do animal. Míope, às vezes até se enganava e trazia seu boi, pois macho e fêmea eram malhados, mas as pessoas nem percebiam e compravam e bebiam do leite, nem notavam a diferença. Hoje seu Devair Boca Mole é o maior produtor de queijo da América Latina. Como o senhor conseguiu fazer crescer tanto o seu negócio, seu Devair?"
"Buena, eu tomava viagra, depois passei pra tadalafila, que descobri que tem um efeito muito mais prolongado..."
"Não, seu Devair, eu tô falando do negócio do queijo..."
"Ah, tá! Bah, foi simples! Eu rezava muito pra santo Antão dos Bestas, depois fui trabaiando, trabaiando e deu nisso tudo que deu."
"Seu Mané da Caipora, de Saci de Três Pernas, que fica a a 8 mm de Furico do Mundo, tinha um pé de manga no fundo do quintal e levava todos os dias cinco ou seis manguinhas maduras pra feira de Farofafá, vendia tudo e é hoje o maior produtor de mangas do Ocidente. Seu Mané, como o senhor obteve tão grande sucesso?"
"Uai, fui rezando muito e pagando muita promessa em Nossa Senhora Aparecida, dipois metia a mão na enxada, prantava, prantava, e agora é isso que cê vê."
"Seu Jabá das Candongas, De Buraco do Metrô, que sempre reutilizava as camisinhas que usava, pois achava um desperdício descartá-las, é hoje o maior produtor de camisinhas-de-vênus recondicionadas do Brasil, um negócio pioneiríssimo no país! O que o senhor pode falar sobre seu empreendimento?"
"Meu, o troço dá grana mesmo! Ante eu próprio catava as camisinha no chãos, mas a empresa cresceu tanto que tenho mais de mil catador de camisinha usada em toda a grande São Paulo."
A Globo, quer em suas novelas ou no seu programa insípido e monótono chamado "Pequenas Empresas, Grandes Negócios", quer passar a seus espectadores a ideia de que basta um sujeito começar um negocinho com uma jaca e um pedaço de pau pra ficar rico, que não se devem reivindicar melhorias nos níveis salariais nem tentar fazer valer os direitos de cidadão, como saúde, educação, emprego com salário digno do nome, segurança, habitação e outros direitos fundamentais de todo e qualquer ser humano. Não duvido de que alguns com pendores para empreendimentos consigam crescer financeira e socialmente, mas fazem parte das exceções, não da regra, pois a maioria não consegue meios e/ou não tem vocação para negociante. Há excelentes profissionais em todas as áreas, mas raríssimos dos que se desempregam ou se cansam de receber os salários miseráveis que o empresariado brasileiro paga alcançam erguer um estabelecimento industrial ou comercial de estruturas sólidas: a maior parte não vai além das carroças de camelô, vendendo churrasco ou cachorro-quente, ou acabam como motoboys ou motoristas de aplicativo.
A Globo, porém, é asquerosa, é o maior celeiro da mentira e da omissão da verdade do país, e quer empurrar pela cabeça das pessoas adentro que o primeiro passo é ser cordato, o segundo, empreender, ora! Produzir fortuna do nada. Tenho a impresssão que esse pessoal que produz o "Pequenas Empresas..." cai sempre em gargalhadas incontroláveis, dado a grande audiência de otários que ficam diante da televisão, olhando aquele monte de baboseiras que a emissora veicula como possibilidades reais na vida de todo mundo.
E essa mensagem safada as Organizações Globo não emitem somente através desses contos da Carochinha, mas também através de suas novelas, minisséries, especiais, em que qualquer zé-ruela consegue vir de uma miséria de impressionar indigente e de repente erguer um tremendo império empresarial. Já passou e muito da hora de a sociedade parar de engolir essa mentirada e fantasia barata, e largar toda a programação da Globo na lixeira, com toda a sua inutilidade e todos os seus fedores.
A globo apoiou Bolsonaro em 2018, na falta de Tarcísio, fecha agora com Flávio Bolsonaro, tá emprenhada, como toda a grande mídia, inclusive a Uol, que não é lá essas coisas em matéria de poder econômico, em esmigalhar os políticos e as políticas progressistas a partir da sabotagem corrosiva da imagem dos poucos homens públicos honestos e voltados às causas populares que há no Brasil, e o motivo é simples: A Globo é capitalista retrógrada e furiosa, antipovo, antipobre, anti-classe-média (que é tão imbecil que se vê como quase rica e entre as camadas ungidas pelos globais) e não tem pudor quando precisa se deslocar da direita pra cair extrema-direita, onde se sente confortavelmente em casa.
Como eu disse, já passou da hora de jogar a Globo no lixo.
Se levarmos em conta que Bolsonaro é misógino, sexista, ignaro, homofóbico, sem-empatia, negacionista, contrário a vacinas e à saúde pública, mentiroso, autoritário, golpista, incompetente, odeia pobres e aposentados, acha que só as classes abastadas têm direito à vida e ao bem-estar social, e que as declarações de seus filhos fazem-nos no mínimo muito parecidos com ele, há de se depreender, então, que, caso eleito, Flávio Bolsonaro retornará à nefasta obra do pai. Dá arrepios de imaginar.
Se avaliarmos a situação a partir do eleitorado do capetão, ops(!) desculpe, capitão, que é o mesmo de qualquer candidato de direita ( a direita não tem muito pudor e se converte facilmente em extrema-direita, desde que seus privilégios -- ou, no caso do direitista pobre, os privilégios dos que ela idolatra -- sejam mantidos), veremos que o Brasil não será, como não vem sendo (graças à atuação maligna das forças reacionárias), um país onde irá haver ordem, e isso a gente percebeu desde o momento em que, em 2018, foi anunciada a vitória do Bozo na disputa eleitoral. Exemplo disso é que, naquele dia, eu morava em Araruama, no Rio, e fora a Arraial do Cabo. Quando voltei do passeio, fiquei boquiaberto: era tanta garrafa de cerveja long neck largada, inteira ou quebrada, nas calçadas e na pista, que parecia ter havido uma revolução em que as armas eram aquela frascos de vidro. Alguns dizem que o vidro é quebrado com cerveja e tudo em oferendas ao chamado "povo de rua", mas duvido muito que algum exu ou pomba-gira em sã consciência queira tanta destruição. Há os que alegam que é para extravasar as emoções, como fazem no Natal e na virada do ano, mas a verdade é que explodem fogos e quebram coisas pelo simples prazer do exercício da destruição e da arruaça.
Fico imaginando as comemorações em caso de triunfo do "pimpolho" Bozinho. As ruas cheias de milicianos, traficantes, uma legião de feminicidas, homófobos, desordeiros, violentos, ignorantes, etc, todos promovendo um imenso carnaval fora de época e quebrando garrafas e espalhando tiros de armas de fogo a três por dois.
Imagine agora a política salarial: aposentados, servidores públicos de carreira, trabalhadores ativos não terão vez apesar de alguns participarem dessas verdadeiras folias satânicas -- não por eventualmente bozistas envolverem entidades africanas nos festejos (até porque a moda é ser evangélico, e as religiões da África estão em baixa e sofrendo perseguições), mas pela índole dos que estiverem engajados nas comemorações.
O SUS vai direto à privatização ou extinção, as mortes vão se multiplicar de forma assustadora, as vacinas serão negligenciadas. Por que essa palhaçada de comprar vacinas, se não servem pra nada? É gastar dinheiro à toa, quando tem tanto bilionário e tanto banqueiro de boca escancarada, esperando as verbas do governo como passarinho de bico aberto à espera de receber comida do bico da mãe. Aí vai surgir uma epidemia de Covid no Brasil, mas não haverá necessidade de ninguém se vacinar, segundo o ministro da Saúde, Jair Bolsonaro, retirado da cadeia por ato autoritário do presidente Bozinho, que terá aproveitado o ensejo para cerrar as portas do STF, deixando lá de plantão apenas André Mendonça e Nunes Marques, para depois nomear uns sessenta ministros, todos amigos da família, e assim recompor a Corte. Bolsonaro não será ministro apenas da Saúde, mas da Casa Civil, Casa Militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Defesa e presidentte vitalício do Supremo, acumulando todos os cargos, recebendo por cada um deles, mas passando os dias a pescar em Angra e aproveitando os domingos de descanso para promover e participar de motociatas. Sobre a desnecessidade de imunização, alíás, é preciso compreender que a necropolítica é muito importante para a robustez financeira dos governos autocráticos, que precisam dar muitos mimos às elites para estas manterem, mais que apoio, a sustentação a eles. Velhos mortos e ausência de saúde pública geram uma puta economia aos cofres públicos, que aí passam a ter muito mais folga e conforto pra distribuir benesses entre seus representantes talibãs.
Matar mulheres, homossexuais, animais, pobres e idosos estará liberado, mensagem subliminar perfeitamente entendida já nos dias de hoje, em que o governo é progressista, mas a gritante maior parcela dos políticos e autoridades é de exrema-direita. Só que os eleitores idiotas não entendem é que despossuídos, independentemente de serem idólatras da família Bozo, estarão todos sujeitos a desmandos como os que houve no tempo da ditadura militar. As polícias saíam às ruas pra prender, matar e baixar a porrada, e não perdoavam desempregados e desordeiros de boteco, e não perguntavam a ideologia de suas vítimas: não será criada uma carteira de fascista.
Não tenho dúvida de que São Donald Trump, deus dos fascistas e estúpidos do Brasil, terá uma participação importante na volta dos extremistas de direita ao poder, só não posso mensurar ainda o tamanho e as características dessa interferência.
O lado bom do fascismo é que um dia ele acaba, embora em geral se haja de esperar por uns vinte e poucos anos. Pelo menos é o que podemos imaginar quando verificamos o tempo que Hitler e Mussolini permaneceram no poder. A própria ditadura brasileira durou vinte e um anos. No entanto, se considerarmos os casos de Stroessner e Franco, que governaram respectivamente o Paraguai e a França França por 36 anos, e a ditadura salazarista, que durou de 1933 a 1974, veremos então que a galerinha sadia irá precisar de um pouquinho mais de paciência. Coisas do fascismo.
Barão da Mata
Fotos do Google
Essa o Sebastião Nery contou no programa do Jô Soares.
Jânio Quadros, ao retornar do exílio, que amargara alguns anos após renunciar à presidência da República (sem explicar os motivos exatos), foi convidado por um antigo desafeto, que queria com ele fazer as pazes, para um almoço em sua homenagem. Jânio compareceu sem nenhuma objeção, e, enquanto a comida não ficava pronta, bebia, bebia e bebia, assim como o anfitrião, que, a certa altura da conversa, resolveu mandar a reconciliação pras cucuias e perguntar:
--Explica uma coisa pra gente, Jânio! Por que foi que você renunciou?
Jânio mostrou descontentamento, a turma do deixa-disso colocou-se entre os dois, mas o ex-presidente falou mais alto:
--Se ele quer saber, responderei.
Depois voltou-se para o dono da casa, grave e incisivo:
--Tu queres saber? Responder-te-ei! -- repetiu: -- Tu queres saber? Responder-te-ei! -- e veio com a sentença final: -- É que no Alvorada a comida é uma merda igual à que servem na tua casa.
E saiu casa afora, seguido pela comitiva que o acompanhava.
Barão da Mata
Foto do Google
Leonel Brizola era um político muito hábil e com uma grande capacidade de livrar-se de situações embaraçosas. E tais circunstâncias não lhe faltaram em toda a vida política, sendo uma delas numa entrevista que deu a um grupo de entrevistadores imagina de que emissora... Da "Rádio Globo"! Era início de 1989, ano eleitoral, e a "Globo", enquanto tentava (e conseguia) convencer o Brasil de que Collor era Jesus Cristo que retornara, aliava-se aos militares (que odiavam Brizola visceralmente) e a todas as forças de direita e extrema-direita para não permitir de modo algum que o político gaúcho ganhasse aquela eleição. Para esses grupos, se o ex-governador perdesse no pleito, seria bom, mas, se tivesse a candidatura cassada, melhor ainda. Foi com esse intuito, então, que um dos entrevistadores, num dado momento, indagou-lhe sobre o que achava do episódio à época recente, em que um general fora preso pelo alto comando das forças armadas por ter feito críticas ao governo federal. Brizola, experiente, velha raposa, nem titubeou para responder:
--Certas questões são como fogueira de São João: é melhor passar por cima (pular).