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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

HERCULANO ÉBRIO, "O BÊBADO", E O AGRO

 A Globo insiste em apregoar que agro é pop, embora setenta por cento do que chega aos nossos pratos venha da agricultura familiar, não dos grandes conglomerados agrícolas. Diz ainda que agro aquece a economia, e eu acho que "aquece " é eufemismo: agro incendeia mesmo.




Barão da Mata

Desenho: Barão da Mata e Leônidas Falcão

Foto: Google

HERCULANO ÉBRIO, "O BÊBADO", SOBRE RICARDO NUNES

 Fico às vezes pensando: pra que serviria um coçador de testa de borracha? E o Ricardo Nunes, o sem-currículo e xodó da Globo, o famoso quem?  Vai ser eleito pelo paulistano, e eu que sou o bêbado.


Barão da Mata

Desenho de Barão da Mata e Leô


nidas Falcão

sábado, 12 de janeiro de 2019

REAÇÕES DOS PERSONAGENS D' "OS PENSADORES DE BIROSCA" ÀS DECLARAÇÕES DE BOLSONARO, DE QUE O BRASIL ERA SOCIALISTA E AGORA ESTÁ "COMEÇANDO A SE LIVRAR DO SOCIALISMO"

HERCULANO ÉBRIO, O BÊBADO: Depois falam de mim. Acho que ele anda bebendo demais.

DELFINO PATETA, O IMBECIL:  Quem me dera saber como ele.

BRENO ESTERCO, O PITTY BOY:  Pô! O cara é muito doido!





ROSINHA, A GOSTOSINHA: Não tenho mais vontade de dar pra ele, não.




Barão da Mata

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

DEBATE PÓS-ELEITORAL DOS PERSONAGENS D' "OS PENSADORES DE BIROSCA"

Poucos dias  após o segundo turno das eleições, nossos amigos reuniram-se num boteco para debater (e alguns comemorarem) os resultados.  Breno Esterco, "O Pitty Boy" estava eufórico como  o quê:
--Porra, cara, é bom demais!  Já distribuo porrada adoidado! Agora vou comprar uma arma. Car****! Agora ninguém vai poder comigo...
--Sai dessa, hem, Breno! --retrucou Eusébio Moça," O Gay" -- Não vem com essa de querer atacar gay, não, porque definição sexual não é pecado nem desvio de caráter...
--Xiiiii! -- interveio Ricardo Pelintra," O Pilantra" -- Vai ficar ruim pra você, Eusébio... O homem não gosta de pessoas como você... Acho que ele vai te fazer usar um corte de cabelo convencional e ainda te meter um coturno nos pés.
--Para, Cardo!! -- resmungou o homoafetivo.
--E aí, Ricardo? -- indagou Marcinha, "A Corretinha" -- O que vai ser de quem aplica golpes como você?
--Simples! -- ele responde de pronto -- Vou abraçar a carreira política.  Porra, nega(!), no Brasil a política é feita como uma luva pra homens como eu! 
--Em quem você votou? -- perguntou Delfino Pateta,"O Imbecil" a Platãozinho, "o Pensador Confuso":
--Fiquei pensando, pensando... Meditei muito... Comecei a considerar que querer um cargo de presidente está intrinsecamente ligado à ambição humana... e a ambição humana pode causar estragos, ser nociva... Mas, em contraponto, o pensamento de Nietsche a vê como algo absolutamente positivo... Assim, fiquei a cogitar sobre ambas as linhas de pensamento...
--Mas e aÍ?!!! -- apressou-o Herculano Ébrio, "O Bêbado" -- Afinal você votou em quem?!!!!
Platãozinho suspirou e revelou, acabrunhado:
--Enquanto refletia, esqueci da hora: perdi o horário de voltar.
Marcinha e alguns outros balançaram a cabeça, indignados, e Rosinha, "A Gostinha", cuidou  logo de declarar:
--Eu votei no Haddad porque achei ele mais "gato".
--Isso é critério, Rosinha?!!! - reprovou-a Marcinha.
--Mas e você?  Em quem votou? -- dirigiu-se Ricardo Pelintra à que desaprovara a amiga.
--Li muito sobre o que foi a ditadura militar, e Bolsonaro me fez pensar muito naqueles tempos.... Ele com aquelas ideias... como poderia ganhar meu voto?
--E você? -- apontou Herculano para Delfino Pateta.
--Eu tive que votar nulo porque a urna eletrônica tava com defeito.
--Com defeito????? --  os outros se espantaram.
--Foi: eu queria votar no Ciro, mas ele não aparecia de jeito nenum na urna...
--Mas votar no Ciro no segundo turno????
--Ué...? Não podia, não?
--Claro que não!!!!!!!
--Mas por quê?
--Deixa pra lá, Delfino!!! -- agastou-se Eusébio Moça.  E depois declarou: -- Eu não votaria no Bolsonaro de jeito nenhum, por motivos óbvios.
Foi quando Breno Esterco levantou-se e bateu no peito, veemente:
--Eu votei nele!!!! Tem mesmo que acabar com toda essa imoralidade que reina no Brasil!!!
--Mas quem é você -- replicou Marcinha -- pra falar em moralidade?
--Acabar com essa nudez e essa pouca-vergonha da televisão e das ruas -- tentou argumentar o vândalo.
--E você não gosta?! -- protestou Herculano Ébrio.
--Gostar eu gosto -- respondeu Breno com um sorriso sem graça -- mas é imoral...
--E o que é imoral?!! -- levantou a voz Herculano -- A nudez ou a fome? O sexo ou o desemprego?
--A pornografia ou os baixos salários? -- apoiou Marcinha.
--Ah(!), pornografia é tudo de bom... -- entusiasmou-se Rosinha -- Um dia, sabe(?), eu tava assistindo a um pornô bem picante na casa de dois amigos, e aí a gente se emocionou, sabe(?)...

--Chega, Rosinha!  --interr








ompeu Marcinha -- Não precisa vir com suas histórias.

E então Ricardo Pelintra contou que votara em Bolsonaro.
--Mas por quê?-- Herculano veio inquisidor.
--Porque é preciso -- sustentou Pelintra -- acabar com essa corrupção, essa patifaria.
--Mas você não é corrupto? -- redarguiu "O Bêbado".
--Mas precisa todo mundo ser? --insistiu Pelintra cinicamente -- Não é melhor deixar a corrupção só pra mim?  Ou vocês não perceberam ainda que aqui no Brasil fica um querendo combater a corrupção do outro? Ué?! Ninguém gosta da concorrência!
Aí "A Corretinha" dirigiu-se a Herculano:
--De quem foi teu voto?
--Nulo!!! -- ele disse sem embaraços.
--Nulo????!!! -- Marcinha levou a mão ao peito, surpresa e contrariada.
Herculano não só permaneceu tranquilo, como também justificou:
--A grande cagada foi feita no primeiro turno, quando o eleitorado, na sua "infinita sabedoria", colocou os dois no segundo turno.  Se é assim, então, pensei, já que nossos sábios eleitores preferiram os dois, era porque sabia que eram os melhores, de modo que, ganhasse quem ganhasse, o Brasil tava ciente de ter escolhido o melhor.  Agora dá licença, que vou dar uma talagada.
Bebido o grande gole,  Marcinha principiou a fazer perguntas ao velho bêbado:
--Por que o rico votou no Bolsonaro?
--Por que não é burro, ora!
--E o pobre?
--Porque não sabia que vai perder todo o quase nada que tem. -- Um soluço, e o alcoólatra completa: -- Quem manda só querer saber de crime, Carnaval  e futebol?
--Mas por que a classe média votou nele?
--Por que pensa que é rica também. -- e  caiu na gargalhada nosso bêbado.
Logo em seguida Platãozinho quis saber:
--A classe média não sabe que não é rica?
--Sabe -- ria novamente Herculano --, mas só na hora de pagar a conta do bar  ou do motel. Ou o cartão de crédito. Ou o presente da amante.
--E quando é que o rico vota no PT?
--Quando é dirigente do partido.
--E o pobre?
--Quando acredita que é partido de trabalhadores -- nova risada de Ébrio.
--E o classe média?
--Quando erra três vezes.
--Três vezes??????
--É: quando acha que existe socialismo, quando acredita que é socialista e, pasmem(!), quando acredita que o PT é socialista.  Agora dá licença pra eu gargalhar de novo.  -- e aí nosso irreverente e constante bêbado Herculano Ébrio riu longamente de escárnio mais uma vez.
Um inconveniente esse Herculano Ébrio.  Deveria ser banido do País.  Nãããoooo!!!!!!! Falei só por falar, meus queridos futuros governantes!!!!  Vai que isso acontece... Vai que a moda pega...

Barão da Mata


Os personagens na sequência:  Delfino Pateta, "O Imbecil", Eusébio Moça, "O Gay",  Herculano Ébrio, "O Bêbado",  Breno Esterco, "O Pitty Boy",  Marcinha, "A Corretinha",  Platãozinho, "O Pensador Confuso",  Ricardo Pelintra, "O Pilantra", e Rosinha, "A Gostosinha"

terça-feira, 13 de maio de 2014

O PENSAMENTO DE HERCULANO ÉBRIO, O BÊBADO


Herculano Ébrio, o Bêbado, orgulhoso de seu epíteto, num dia de conversa descontraída com nós, Pensadores de Birosca, deu-nos o prazer de beber de sua sabedoria (e algumas doses de bebidas alcoólicas, é claro).
Após convidar um amigo a tomar umas cervejinhas, caipirinhas, conhaquinhos, tequilinhas, a recusa daquele fez que nosso companheiro dissesse:
- Você tem que ter determinação e coragem: nunca é tarde para se tornar alcoólatra.
Ficamos absortos com tamanha sabedoria, e o nosso bebum dissertou sobre outros temas:
- Um homem de fibra nunca esmorece ou desiste: toma um porre num dia e  outro no dia seguinte.
Perguntamos se ele queria que o levássemos a casa, respondeu que não, depois continuou, agora chulo,  porém mais um pouco dentro da razão:
- O neoliberalismo é um sistema econômico em que o mais forte enraba sempre o mais fraco e fica sempre tudo por isso mesmo.
Por último veio com um pensamento que nos confundiu - seria a maiêutica?
- Você nunca deve chorar sobre o leite derramado, mas sempre jogar o  leite sobre as lágrimas.
- Ué? - perguntamos - O que você quis dizer com  isso?
- Sei lá, porra! Tô bêbado de cair, não tá vendo?

Barão da Mata e Leônidas Falcão








terça-feira, 6 de agosto de 2013

UM SÁBADO TRANQUILO (OU QUASE) ENTRE NOSSOS PERSONAGENS

Era um sábado calmo e temperado.  Como sempre os nossos personagens estavam reunidos num botequim. 
Herculano tinha um olhar um tanto distante, comentou:
- Vocês sabem que eu hoje senti saudades da minha primeira mulher?
Marcinha se interessou:
- Você ainda gosta dela?
- Gostar não - Herculano respondeu - Foi só uma saudade que bateu.  Deve ser TPR.
- TPR??? - todo mundo ficou espantado e curioso.
- É! Tristeza pós-ressaca. - e Herculano chamou o homem do bar : - Traz um mata-leão pra combater a tristeza!
Platãozinho ficou pensativo por momentos, depois falou:
- Todo mundo tem marcas do passado, não é?  Eu fui uma criança muito triste...
- Mas por quê? - quis saber Rosinha.
- Porque meu pai e minha mãe nunca me bateram.
- Ué? - perguntou Herculano - E o que isso tem de mal?
- É menosprezo demais, vocês não acham?
- É? - Marcinha, boquiaberta.
- Meus coleguinhas viviam exibindo marcas de tabefes, de chineladas, de surras de cinto, e eu ficava com vergonha, me sentia diminuído e diferente, porque não tinha nada pra mostrar.
- Mas você era peralta? - perguntou Herculano.
- Não, - respondeu Platãozinho - mas não podiam me dar uma porrada que fosse de vez em quando, por menor que parecesse, mesmo que fosse uma porrada simbólica, pra eu me sentir igual aos outros?
- Ora, Platãozinho, isso não é motivo pra complexos: meus pais também nunca me bateram.  Conversavam comigo, me ensinavam o que era certo e o que era errado, repetiam, diziam que eu não podia fazer isso e aquilo, e eu obedecia.
- Lá vem a menina-modelo - debochava Breno - toda certinha. Agora eu, por minha vez, acho que apanhei até demais: duas vezes.
- Vai dizer que não merecia. - Marcinha o questionou. 
- Puxa! - ele respondeu - Eu não podia nem torturar os filhotinhos de gato que encontrava.
Marcinha se levantou da cadeira, irritada:
- Você fazia isso, seu verme?!!!
Breno fez menção de agredi-la. Dois homens fortes e de músculos avantajados o contiveram:
- Fica aí, sentado, covardão, e ouve, senão nós fazemos com você o que você fazia com os gatos.
Breno encolheu-se e continuou o relato:
- Pois é.  Eu torturava, mas não deixava sofrendo, depois matava.
Tiveram de segurar Marcinha e também os dois homens que advertiram o vândalo.  Até Platãozinho, que nunca se alterava, chamou-o de infame e desgraçado, alguém impediu Herculano de dar-lhe uma garrafada na cabeça.
Mais calma, respirando fundo, Marcinha perguntou:
- E seus pais? Como procediam?
- Minha mãe - respondeu Bruno - ainda tentava me bater, mas meu pai não deixava, e ainda morria de rir.
- Fora daqui, seu facínora! Psicopata, sórdido, perverso! - um dos homens fortões ordenou.
- E sai daqui sem cantar pneu, de cabeça baixa e sem falar com ninguém.
Breno obedeceu rigorosamente e foi embora de mansinho, acabrunhado e macambúzio: homens como ele não gostam de páreos duros.
- Não sei o que esse subverme faz no meio da gente. - comentou Marcinha -  Vem sempre sem ser convidado.
Rosinha balançou a cabeça:
- Fiquei indignada com o Breno.
Herculano abriu os braços: 
- O que vocês esperavam?  Ele tem o perfil perfeito do cara que faz direção perigosa ao volante.  São todos assim, é tudo breno esterco.
- Depois abriu os braços: - Mas isto aqui hoje tá parecendo um divã. - e dirigiu-se ao homem do bar: - Mistura umas cinco bebidas num copo duplo, pra quebrar esse clima! - voltou-se para os amigos: - Por isto que eu digo: bebida é o melhor terapeuta: você bebe e esquece até que os políticos fazem sexo na gente o tempo todo.
Rosinha deu uma longa e sensual olhada nos dois atletas que haviam ameaçado Breno Esterco e depois contou:
- Já eu apanhei muito, tanto do meu pai quanto da minha mãe.
- Mas por quê? - indagou Marcinha - Era tão endiabrada assim?
- Mais ou menos - Rosinha respondeu com um ar malicioso - Só porque eu queria ficar só brincando com os meninos e ficava pelada no meio deles...
- Hmm, sei! - ironizava Marcinha.
- ...E porque me pegaram no matinho fazendo umas coisas com menino algumas vezes...
- Algumas vezes?
- Acho que umas quinze, dezoito vezes,  perdi a conta.
- Nossa!
- Sempre o mesmo menino?
- Não, quinze ou dezoito diferentes.
- Mãe do Céu!!
- Ah, deixa de besteira: hoje são todos meus amigos.
- Que bom!
- São amigos mesmo.  Ás vezes um ou mais de um me dão até banho, mas como ninguém  é de ferro, sabe ...?
- Entendo -  Marcinha, incrédula, balançava a cabeça.
- Ficamos todos muito amigos, e olha que uns oito deles já casaram, mas ainda assim  me procuram... e a gente fica conversando, conversando... Ai(!), e aí é difícil ficar conversando sem a coisa rolar!
Platãozinho ficou a olhá-la fixamente, desejoso e tímido, Rosinha continuou:
- Até o seu Antônio da farmácia, que já saiu comigo duas vezes, diz que eu tenho uma amizade muito bonita com eles.  Seu Pedro da mercearia diz a mesma coisa quando tá comigo no motel.  O Joca, meu primo, quando toma banho comigo diz que tudo aquilo é supernormal.  Só quem discorda é o Anderson, o irmão do meu namorado, que quando acampa comigo diz que tudo aquilo tá errado. O dono aqui do botequim já me convidou pra ir à casa dele...
- Pra conversar com ele e a família? - perguntou Marcinha.
- Nada! Ele mora sozinho, e só não fui até agora porque tô com a agenda lotada.  Acho que vou lá na terça-feira.
- A próxima?
- Não, a outra. Não disse que tô de agenda lotada?
- Rosinha....!
- Só cunhados eu tenho que encontrar dois até lá.  Eles gostam muito de mim, sabe?
Marcinha balançou a cabeça numa reprovação e Rosinha prosseguiu, e olhava os dois musculosos à sua frente:
- Acho que vou ter que alterar minha agenda e passar aqueles dois na frente do dono aqui do bar.

Leônidas e Barão





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ENCONTRO DOS PERSONAGENS DE "OS PENSADORES..."

Ente um e outro copo de cerveja, vinho, conhaque, gim, vodca, os personagens de "Os Pensadores de Birosca" iniciaram o bate-papo de todos os encontros. 


 HERCULANO ÉBRIO, O BÊBADO: Uma puta sacanagem esse negócio de os americanos ficarem espionando a gente, vocês não acham?
ROSINHA, A GOSTOSINHA: Ai, mas eu queria tanto que o Obama me espionasse, me visse ali, peladinha, no banho...
MARCINHA, A CORRETINHA: Para com isso, Rosinha! Não vê que o assunto é sério! ?  eu acho que o Brasil deveria romper relações diplomáticas com os Estados Unidos.
HERCULANO: Ué, Marcinha, foi você quem bebeu?  Tá querendo sofrer bloqueio econômico e passar a usar ampulheta de pulso?
ROSINHA: Ampulheta... O que é isso?   Até me lembra...
MARCINHA: Cala a boca, Rosinha! Parece ninfomaníaca!
HERCULANO: Além de burra...
MARCINHA: Não fale assim, Herculano: não seja grosseiro e mal-educado.
BRENO ESTERCO, O MAU SUJEITO: Pô, maneiro!  Eu também queria poder ver tudo o que os outros fazem.  Ia ser legal, eu ia fazer chantagem com todo mundo.  Ia ver as mulheres peladas...
MARCINHA: Breno(!), se você e Marcinha mantiverem a discussão nesse nível, eu prefiro ir embora daqui.
PLATÃOZINHO, O PENSADOR CONFUSO:  Não vai, não, Marcinha, a conversa tá boa...
HERCULANO: Se o Obama bebesse igual a mim, não teria tempo de se preocupar em espionar ninguém.
MARCINHA:  Mas como um homem pode, Herculano, governar o tempo inteiro bêbado?
HERCULANO: Rá-rá-rá! Você conhece a história do Brasil? 
MARCINHA: Mas ele, o J...
PLATÃOZINHO: Não bebia o tempo todo...
HERCULANO: Rá-rá-rá! Mas não é só ele, não: tem também o ex e futuro...
MARCINHA: O pretenso futuro!
HERCULANO: Não sei, não, mas acho que, na verdade, pelas medidas que são tomadas aqui no país, acho que todo político vive constantemente bêbado.
PLATÃOZINHO: Tô aqui concebendo uma ideia!
BRENO: Ih! Aí! O Platãozinho tá concebendo, vai ser mamãe, Rá-rá-rá-rá-rá-rá!
MARCINHA: Por favor, Breno!  Quer deixar ele explanar o que pensou?
BRENO: Vai te catar, Marcinha! Deixa de ser nojentinha!  Sabe o que é que você tá precisando?
HERCULANO: Por favor, Breno, respeita a moça...
BRENO: Então, desembucha, Platãozinho!
PLATÃOZINHO: Diz, Marcinha: quais são os poderes de Deus?
MARCINHA: Ora, Platãozinho, Deus pode tudo, é a força maior do Universo, e é onipresente, onisciente, vê tudo, ouve tudo...
PLATÃOZINHO: Então o Obama só pode ser Deus!
MARCINHA (baixando e sacudindo a cabeça): Francamente, Platãozinho, seria melhor ter deixado o Breno te achincalhar.
HERCULANO: Depois dessa, só tomando mais uma.  Desce um traçado aí!
BRENO: Pô, galera! Tô me divertindo muito com as manifestações!
MARCINHA, indignada: Por quê?!
BRENO: Pô, tô quebrando vidro, banco, loja, carro... Cara! Tô me divertindo pra cacete!
Foi uma dificuldade segurar a Marcinha, que queria devorar o vândalo a tapas e unhadas.
BRENO, acintoso: Deixa ela "vim"! Deixa ela "vim"!  Comigo não tem esse negócio de ser mulher, não! Desço a porrada também!
HERCULANO, irritado: Covarde! Moleque!
E foi agredido pelo pitty boy com dois murros e ficou ainda mais tonto, com uma das mãos no queixo. Só não foi surrado porque Platãozinho conteve o agressor e lhe pediu encarecidamente que parasse.
Para a felicidade de todos, o mau-caráter resolveu ir embora.  
BRENO: Comigo não tem essa de bêbado nem coroa, não. Dou porrada mesmo.
Saiu com seu carro cantando pneu, quase atropelou uma velhinha.
BRENO, dirigindo-se à velhinha: Sai daí, sua f.d.p.!!!
Todos ficaram indignados.  
Quando Herculano se refez, continuaram.
MARCINHA: Não acredito que nenhum manifestante de verdade quebre nada: isso é coisa dos brenos da vida.
HERCULANO, ainda alisando o queixo: Apoiada!
ROSINHA: Ai, o Breno com esse jeitão bruto me enche de tesão.
Marcinha e Herculano ficaram irritadíssimos com ela, que preferiu se calar, sem graça.
MARCINHA: Só quero saber onde isso vai dar: tenho medo de haver alguma medida autoritária.
PLATÃOZINHO: Isso não vai acontecer: a presidente é uma mulher afeita às causas populares, é socialista, veio pra governar em prol do povo...
Foi difícil conter a crise de gargalhada do Herculano.
HERCULANO: Rá-rá-rá-rá-rá-rá-rá-rá-rá-rá! Rá-rá-rá-rá-rá-rá-rá! Assim eu passo de bêbado a enfartado! Rá-rá-rá-rá-rá!Com essa só bebendo mais: desce um conhaque pra mim!
ROSINHA: Para, Herculano!  Eu tô de acordo com o Platãozinho. Eu tenho uma tia que recebe o bolsa-família,  ela, o marido...
MARCINHA:  E cadê os hospitais, as escolas, a segurança, os empregos, os bons salários, a habitação...?
PLATÃOZINHO: Puxa, meus amigos, mas a Dilma é uma socialista como o Fernando Henrique, ambos só pensaram no bem-estar do povo...
A crise de riso do Herculano piorou.  E o mais grave: Marcinha também caiu na gargalhada.  
ROSINHA, levantando-se: Com vocês dois não dá pra conversar. Vou saindo, tomar banho pra ir pro baile funk.
Quando os risos cessaram,
PLATÃOZINHO: Vejam bem: 2014 vem aí, e na eleição presidencial a gente pode ter de optar entre a presidenta Dilma e o governador Aécio ou, se a presidenta cair muito nas pesquisas, entre o ex-presidente Lula e o governador Aécio.  O que vocês acham que eu devo fazer no dia de votar?







HERCULANO, a mão sobre o ombro do amigo: Passa aqui no boteco, meu filho, que eu te derrubo com um porre.



Barão e Leônidas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

HERCULANO ÉBRIO, O BÊBADO

Este é Herculano Ébrio, O Bêbado,  personagem de Os Pensadores de Birosca, criado por Leônidas Falcão e Barão da Mata, perfeitamente enquadrado ao perfil do grupo.