sábado, 14 de fevereiro de 2026

COISAS DO FASCISMO

                                                   


    


 Se levarmos em conta que Bolsonaro é misógino, sexista, ignaro, homofóbico, sem-empatia, negacionista, contrário a vacinas e à saúde pública, mentiroso, autoritário, golpista, incompetente,  odeia pobres e aposentados, acha que só as classes abastadas têm direito à vida e ao bem-estar social, e que as declarações de seus filhos fazem-nos no mínimo muito parecidos com ele, há de se depreender, então, que, caso eleito, Flávio Bolsonaro retornará à nefasta obra do pai.  Dá arrepios de imaginar.

Se avaliarmos a situação a partir do eleitorado do capetão, ops(!) desculpe, capitão, que é o mesmo de qualquer candidato de direita ( a direita não tem muito pudor e se converte facilmente em extrema-direita, desde que seus privilégios -- ou, no caso do direitista pobre, os privilégios dos que ela idolatra -- sejam mantidos), veremos que o Brasil não será, como não vem sendo (graças à atuação maligna das forças reacionárias), um país onde irá haver ordem, e isso a gente percebeu desde o momento em que, em 2018, foi anunciada a vitória do Bozo na disputa eleitoral.  Exemplo disso é que, naquele dia, eu morava em Araruama, no Rio, e fora a Arraial do Cabo. Quando voltei do passeio, fiquei boquiaberto:  era tanta garrafa de  cerveja long neck   largada, inteira ou quebrada,  nas  calçadas e na pista, que parecia ter havido uma revolução em que  as armas  eram aquela frascos de vidro.  Alguns dizem que o vidro é quebrado com cerveja e tudo em oferendas ao chamado "povo de rua", mas duvido muito que algum exu ou pomba-gira em sã consciência queira tanta destruição.  Há os que alegam que é para extravasar as emoções, como  fazem no Natal e na virada do ano, mas a verdade é que explodem fogos e quebram coisas pelo simples prazer do exercício da destruição e da arruaça.  

Fico imaginando as comemorações em caso de triunfo do "pimpolho" Bozinho.  As ruas cheias de milicianos, traficantes, uma legião de feminicidas, homófobos, desordeiros,  violentos, ignorantes, etc, todos promovendo um imenso carnaval fora de época e quebrando garrafas  e espalhando tiros de armas de fogo a três por dois.

Imagine agora a política salarial:  aposentados, servidores públicos de carreira, trabalhadores ativos não terão vez apesar de alguns participarem dessas verdadeiras folias satânicas -- não por eventualmente bozistas envolverem entidades africanas nos festejos (até porque a moda é ser evangélico, e as religiões da África estão em baixa e sofrendo perseguições), mas pela índole dos que estiverem engajados nas comemorações.  

O SUS vai direto à privatização ou extinção,  as mortes vão  se multiplicar de forma assustadora, as vacinas serão negligenciadas.  Por que essa palhaçada de comprar vacinas, se não servem pra nada?  É gastar dinheiro à toa, quando tem tanto bilionário e tanto banqueiro de boca escancarada, esperando as verbas do governo como passarinho de bico aberto à espera de receber comida do bico da mãe.   Aí vai surgir uma epidemia de Covid no Brasil, mas não haverá necessidade de ninguém se vacinar, segundo o ministro da Saúde, Jair Bolsonaro, retirado da cadeia por ato autoritário do presidente Bozinho, que terá aproveitado o ensejo para cerrar as portas do STF, deixando lá de plantão apenas André Mendonça e Nunes Marques, para depois nomear uns sessenta ministros, todos amigos da família, e assim recompor a  Corte.  Bolsonaro não será ministro apenas da Saúde, mas da Casa Civil, Casa Militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Defesa e presidentte vitalício do Supremo, acumulando todos os cargos, recebendo por cada um deles, mas passando os dias a pescar em Angra e aproveitando os domingos de descanso para promover e participar de motociatas.  Sobre a desnecessidade de imunização, alíás,  é preciso compreender que a necropolítica é muito importante para a robustez financeira dos governos autocráticos, que precisam dar muitos mimos às elites para estas manterem, mais que apoio, a sustentação a eles.  Velhos mortos e ausência de saúde pública geram uma puta economia aos cofres públicos, que aí passam a ter muito mais folga e conforto pra distribuir benesses entre seus representantes talibãs. 

                                         


Matar mulheres,  homossexuais, animais, pobres e idosos estará liberado, mensagem subliminar perfeitamente entendida já nos dias de hoje, em que o governo é progressista, mas a gritante maior parcela dos políticos e autoridades é de exrema-direita.  Só que os eleitores idiotas não entendem é que despossuídos, independentemente de serem idólatras da família Bozo, estarão todos sujeitos a desmandos como os que houve no tempo da ditadura militar.  As polícias saíam às ruas pra prender, matar e baixar a porrada, e não perdoavam desempregados e desordeiros de boteco, e não perguntavam a ideologia de suas vítimas: não será criada uma carteira de fascista.

Não tenho dúvida de que São Donald Trump, deus dos fascistas e estúpidos do Brasil, terá uma participação importante na volta dos extremistas de direita ao poder, só não posso mensurar ainda o tamanho e as características dessa interferência.

 

O lado bom do fascismo é que um dia ele acaba, embora em geral se haja de esperar por uns vinte e poucos anos.  Pelo menos é o que podemos imaginar quando verificamos o tempo que Hitler e Mussolini permaneceram  no poder.  A própria ditadura brasileira durou vinte e um anos. No entanto, se considerarmos os casos de Stroessner  e Franco, que governaram respectivamente o Paraguai e a França França por 36 anos,  e a ditadura salazarista, que durou de 1933 a 1974, veremos então que a galerinha sadia irá precisar de um pouquinho mais de paciência. Coisas do fascismo.


                                                        




Barão da Mata

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

JÂNIO E O ALMOÇO INDIGESTO SEM COMIDA

 



        Essa o Sebastião Nery contou no programa do Jô Soares.

Jânio Quadros, ao retornar do exílio, que amargara alguns anos após renunciar à presidência da República (sem explicar os motivos exatos), foi convidado por um antigo desafeto, que queria com ele fazer as pazes, para um almoço em sua homenagem.  Jânio compareceu sem nenhuma objeção, e, enquanto a comida não ficava pronta,  bebia, bebia e bebia, assim como o anfitrião, que, a certa altura da conversa, resolveu mandar a reconciliação pras cucuias e perguntar:

--Explica uma coisa pra gente, Jânio! Por que foi que você renunciou?

Jânio mostrou descontentamento,  a turma do deixa-disso colocou-se entre os dois, mas o ex-presidente falou mais alto:

--Se ele quer saber, responderei.

Depois voltou-se para o dono da casa, grave e incisivo:

--Tu queres saber? Responder-te-ei!  -- repetiu: -- Tu queres saber? Responder-te-ei! -- e veio com a sentença final: -- É que no Alvorada a comida é uma merda igual à que servem na tua casa.

E saiu casa afora, seguido pela comitiva que o acompanhava.


Barão da Mata

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BRIZOLA E A FOGUEIRA DE SÃO JOÃO

 

        Leonel Brizola era um político muito hábil e com uma grande capacidade de livrar-se de situações embaraçosas.  E tais circunstâncias não lhe faltaram em toda a vida política, sendo uma delas numa entrevista que deu a um grupo de entrevistadores  imagina de que emissora... Da "Rádio Globo"!  Era início de 1989, ano eleitoral, e a "Globo", enquanto tentava (e conseguia) convencer o Brasil de que Collor era Jesus Cristo que retornara, aliava-se aos militares (que  odiavam Brizola visceralmente) e a todas as forças de direita e extrema-direita para não permitir de modo algum que o político gaúcho ganhasse aquela eleição.   Para esses grupos, se o ex-governador perdesse no pleito, seria bom, mas, se tivesse a candidatura cassada, melhor ainda.  Foi com esse intuito, então, que um dos entrevistadores, num dado momento, indagou-lhe sobre o que achava do episódio à época recente, em que um general fora preso pelo alto comando das forças armadas por ter feito críticas ao governo federal.  Brizola, experiente,  velha raposa,  nem titubeou para responder:

--Certas questões são como fogueira de São João:  é melhor passar por cima (pular).



Barão da Mata

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O CANÁRIO FALSIFICADO

 



    O meu irmão Carlos era um gozador nato, um homem  criativo e engraçado em matéria de inventar anedotas e situações jocosas.  E não deixou passar a oportunidade quando um conhecido contou que fora a uma feira livre e, enganado pelo camelô, comprou um pardal como se fosse um canário.  Claro que por amar os animais sou avesso a pássaros em gaiola, mas só estou contando  o fato sem fazer julgamentos.  

A questão é que, após saber do caso, meu irmão modificou a história e inchou-a de mentiras para que ficasse divertida:

--O Chiquinho foi comigo à feira pra comprar um canário.  Comprou, e, quando a gente voltava pra casa, veio uma chuva e começou a molhar o passarinho.  Então, percebemos que o canário começou a ficar marrom, e, enquanto andávamos, o canário ia ficando marrom, e o Chiquinho ia ficando amarelo, o canário ia ficando marrom, e o Chiquinho ia ficando amarelo...


Barão da Mata

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O CASO DA MASTURBAÇÃO NO PRÉDIO PÚBLICO

 

O fato se deu nos anos 1980.

Quando as sedes do Tribunal Regional do Trabalho e da Delegacia Regional do Trabalho do Rio dividiam o mesmo prédio, um funcionário do TRT foi surpreendido por um agente de segurança enquanto masturbava um outro homem num banheiro público do edifício. Muito provavelmente terá sido instaurado processo disciplinar e tido algum desdobramento, mas o fato é que, muitos anos depois, um advogado muito divertido e brincalhão comentou comigo sobre o episódio e contou que, à época, após já saber da história, alguém veio a ele contá-la, não o deixando resistir à tentação de divertir-se em lançar uma dúvida absolutamente desatrelada da verdade:

--E tá confirmado que o outro era mesmo o delegado regional do trabalho?

E o boato, segundo ele, teria ficado correndo à boca miúda.


Barão da Mata

TANCREDO NEVES E A BRIGA DE GALOS

 





        Depois da renúncia de Jânio Quadros, que proibira a corrida de cavalos, os consursos de misses e as brigas de galos, e da assunção de Jango à Presidência da República condicionada à implantação do parlamentarismo no Brasil, Tancredo Neves assumiu como primeiro-ministro e deixou que os rinhas e os hipódromos voltassem a funcionar normalmente e, dias antes do primeiro concurso de misses que seria realizado após sua posse, era insistentemente indagado por um assessor:

--Doutor, vai haver concurso de misses este ano ou não vai?

Tancredo sempre respondia que sim e, quando indagado pelo mesmo servidor sobre as brigas de galos e corridas de cavalo, dizia sempre de um modo meio evasivo que não faria nenhuma repressão sobre as duas questões.  Num certo dia, entretanto, às vésperas do desfile das moças, o mesmo assessor voltou a insistir:

--Doutor,  vai haver desfile?

--Sim.

--Se o desfile,  as rinhas e corridas de cavalos não são mais proibidos, por que o senhor não publica uma portaria dando conta das permissões?  

Tancredo disse não achar necessário, mas ante a continuação da persistência, respondeu:

--É que eu não quero ser lembrado como o homem que liberou o concurso de misses, a corrida de cavalos e a briga de galos.

Outra sobre o Tancredo é que ele, uma vez eleito governador de Minas Gerais, em 1982, passou a ser frequentemente abordado por um conhecido que vivia a dizer-lhe:

--Doutor Tancredo, estou de cansado de ser indagado pela imprensa sobre se vou ou não ter uma secretaria no seu governo.  

Numa dessas abordagens, porém, Tancredo o instruiu:

--Faça o seguinte: diga a eles que eu insisti muito, mas você não aceitou.


Barão da Mata

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domingo, 25 de janeiro de 2026

OS PROFETAS DA MÍDIA -- SERÁ QUE A DIREITA VAI GANHAR A PRESIDÊNCIA?

     





Numa das primeiras manifestações do Bolsonaro por anistia, o Tarcísio subiu no palanque e aproveitou pra fazer campanha e dar uma espetacular babada nos testículos já tão encharcados daqueles caras de lá da Faria Lima.  A Faria Lima, sabe? Lá onde os traficantes lavam dinheiro em aplicações financeiras.  Pois é, na babada o Babinha (vamos chamá-lo assim por seu hábito compulsivo de afogar os colhões do Bozo em suas babações -- Tarcísio nasceu pra isso: vide ele dizer, no tempo do tarifaço, que, se Trump queria ganhar algo do Brasil, que Lula desse [o Brasil perder não seria relevante pro Baba]).   Bem, mas vamos deixar de enrolação e voltar ao que primordialmente interessa: o Tarcísio, depois de descer o porrete no Alexandre de Moraes, desafiar o STF a barrar uma eventual anistia do seu guru, perguntou quem no futuro "iria financiar o SUS", num claro sinal de que pretende privatizá-lo ou simplesmente extingui-lo (o que é a mesma coisa).




    No presente momento, Flávio Bozo é o candidato do pai e concorrerá contra Caiado Latifúndio, Ratinho Baby e Romeu Acéfalo e, embora nenhum desses tenha acenado verbalmente com o perverso projeto do Babinha, a direita (a extrema-direita no caso deles) inteirinha pensa exatamente igual e, se neste ano for vencedor  um candidato direitista,  o SUS irá virar cinzas, as aposentadorias  e pensões serão reduzidas entre 25 e 50%, o BPC mais reduzido (ou suprimido) ainda, e vai ser difícil alguém tratar doenças cardíacas ou câncer, ou qualquer doença, sem Sistema Único de Saúde e sem metade da parca pensão ou parca verba de aposentado.

O motivo de apreensão aumenta quando o José Roberto de Toledo, do podcast "A Hora" profetiza e decide, matematicamente segundo o próprio deu a entender, que o Lula, apesar de estar à frente dos seus concorrentes, não deve se reeleger por ter tido a avaliação positiva "baixa" no ano passado.  Fiquei confuso, mas que ele disse que seria difícil, disse!   O Merval Pereira utilizou-se do mesmo expediente em 2013, quando Marina Silva estava em primeiro lugar na corrida presidencial:  todos os dias o reacionário comentarista dizia que a liderança da hoje ministra não se sustentava, acabou sugestionando o eleitorado, e Marina não foi nem pro segundo turno. O mercado financeiro e o agro (que não dá pra sequer  tentar entender por que odeia o atual presidente) agradecem a J.R.Toledo.

Se a bola de cristal de Toledo não estiver de modo algum avariada, vai ser muito ridículo a gente ver os pobres de direita votarem em peso na direita e ainda festejarem com explosões de fogos, canto  desafinado do Hino Nacional e estilhaçamento de garrafas de cerveja long neck no chão e nas paredes, aos brados de "tiramos essa esquerda fdp do governo(!)" -- e o Lula nem é de esquerda.  É inegável que eles vão exultar e promover algazarras que até o Diabo acha reprovável, porque em primeiro lugar pobre adora rico, talvez por Síndrome de Estocolmo, e odeia quem pense em onerá-los em um  milionésimo por cento da fortuna desse.   Isso sem contar que a saudade do fascismo do período da ditadura militar mata os mais velhos de saudade e os jovens de um desejo quase ejaculatório de conhecê-la e vê-la em exercício -- tanta tortura e carnificina causam volúpia.

O problema maior  será depois, sem SUS e com a pensão ou aposentadoria mutilada, pra tratarem de eventuais doenças.  Os pastores picaretas dizem que curam de tudo, de pereba e furúnculo, passando por  fraqueza de rola e indo até às doenças mais graves e letais, mas a gente sabe que só fazem subtrair grandes parcelas do que é tão pouco: os salários dos trabalhadores mais pobres.  Os agentes funerários agradecerão.


Barão da Mata

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